Exaltar a Baixada, como o dono da Copa Jérome Valcker exaltou, não foi o bastante. Deveria exaltar ao Atlético, que vem absorvendo e irá absorver quase todo o sacrifício técnico – por ir ao Deus-dará para jogar -, financeiro, porque tem quase esgotada como fontes de renda os sócios e os jogos, e moral, pois precisa combater a ideia de que não retribuirá o interesse público.
Não sei se Mário Celso Petráglia falou à Fifa que os avalistas, municipio e Estado andam fugindo, obrigando o Atlético a improvisar recursos e garantias para cumprir promessas políticas partidárias. Deveria. Aliás, o Furacão deveria exercer o seu direito de cobrar outra conta do poder público, que é esse ônus que vai decorrer da demora da obra em decorrência do não cumprimento da obrigação em liberar o dinheiro.
Explicação
A Polícia Federal não foi de graça dar buscas na residência de Marco Polo Del Nero, homem forte da Confederação Brasileira de Futebol. Mais, ainda, com uma ação de natureza coercitiva, portanto, obrigatória. Não foi um convite para prestar esclarecimentos. Foi levado para prestá-los. Havia um motivo, e isso o dirigente não negou. Apenas justificou que não é nada relacionado ao futebol. E se for?
O motivo é irrelevante. O importante é que ele, existindo, colocou a policia dentro de sua residência. Trata-se do dirigente que mais influencia nas decisões da CBF, como ocorreu na demissão do treinador Mano Menezes. Esconder os motivos, às vezes, é pior do que contá-los. Del Nero começa a ter tudo para ser um novo Ricardo Teixeira.
Brilhante
A proposta do Atlético, de que os clássicos contra o Coritiba sejam no Couto Pereira e contra o Paraná na Vila Capanema, com divisão de torcida e renda, não tem só motivo financeiro. Entendo que extrai-se dela um motivo social. Vai ter que chegar o dia de que as torcidas terão que conviver como seres racionais, civilizados, obrigados a respeitar os direitos humanos.