Euforia perigosa

Se o Atlético tiver consciência que o seu portentoso jogo na vitória sobre o Palmeiras foi de exceção, se tiver consciência de não querer jogar mais do que pode, então uma vitória sobre o Sport, na Baixada, será mais próxima do campo da certeza.

Há risco do Furacão não ter essa consciência. Pelo menos se depender do treinador Milton Mendes, grande responsável por esse momento. A sua presença absolutamente imprópria na festa da torcida organizada ao ser tornada pública, bem que pode ser mal interpretada. O futebol, em momentos como esse que vive o Atlético, reclama do treinador discrição, recato e recolhimento. Sei que Milton é humilde, não quer ser celebridade, e que não teve outra intenção além da de unir time e torcida. Mas no futebol não se considera a intenção, só o fato.

O Atlético jogou o que jogou contra o Palmeiras, porque foi um time tenso no sentido de estar consciente do que deveria fazer. Em um ambiente de euforia, é natural que o ser humano relaxe, desligando-se. Com domínio absoluto sobre os jogadores, Milton tem que desmanchar esse ambiente. Conseguindo, o Furacão será um time normal. E na Baixada, a normalidade cria a tendência natural de vitória.

E é preciso ganhar esse jogo.

Recursos

Saber que nunca haverá nada mais grave do que a lanterna do campeonato pode ser um elemento precioso para o Coritiba se sair bem no jogo da Vila Belmiro contra o Santos. É que o estágio de último humilha quem tem o mínimo de orgulho próprio, mesmo com o caráter quase mercenário que se imprime nesse futebol de mercância.

Concordo que o orgulho próprio e o ideal para o exercício de uma profissão são dependentes da qualidade individual. Mas isoladamente pode suprir deficiência, pelo menos em um dado momento. E esse jogo contra o Santos é o jogo que os coxas não deveriam perder. É que um novo fracasso, por mais natural que seja perder em Santos, vai aumentar a crise. E a frágil diretoria que jogou todas as cartas em sete meses, não tem mais nenhuma.

Afinho

Seu nome: Adolpho, com ph. Completo era de nobre: Adolpho Pereira Kruger. Mas os gols pelo Ferroviário na década de 50 o tornaram histórico pelo apelido Afinho. Não vi Afinho jogar. Mas os seus gols foram tantos e tão belos, que permitem aos historiadores contá-los como lenda, narrada em quatro palavras: gol do Ferroviário, Afinho!

Neste sábado, Afinho faz 90 anos de idade.

A ele, os meus parabéns.

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