Ganhar sozinho é um termo que se contrapõe à natureza do futebol como esporte. No futebol, sabe-se, é princípio elementar a dependência indissociável das funções entre os onze jogadores.
Ganhar sozinho é um termo popular, criado a partir de conversas passionais de arquibancada. Usa-se para gravar a jornada extraordinária de um jogador, sem a qual a vitória ou o título não seria conquistado.
Às pressas, provoco a memória e recebo dois exemplos. Não há lembranças e nem cenas por tape, que não mostrem Garrincha “ganhando sozinho” o bicampeonato mundial pelo Brasil, em 1962, no Chile. É o exemplo histórico deste paradoxo popular.
Mas nenhum exemplo é mais forte para mim, porque fui uma das testemunhas, de Alex Mineiro nas finais do Campeonato Brasileiro de 2001, quando o Atlético ganhou o maior título da sua história. Com o tempo, vão ficando tênues as lembranças da grandiosidade das defesas de Flávio, das jogadas de Souza e dos gols de Kleber. Mas o tempo, por mais que passe, não faz esquecer os gols de Alex Mineiro naqueles jogos finais. Foram oito. Um diferente do outro, não pela beleza, mas pela emoção provocada. Não era gol de arremate de placar. Era o de virada de placar ou o de placar definitivo. Comovente. Inesquecível. Com o tempo, só Alex Mineiro ficará lembrado sem memória induzida.
Ontem o Cruzeiro foi campeão do Brasil. Na foto não vai aparecer Alex, traído pela infidelidade da bola. Não obstante a correção tática, tudo circulou e centrou em Alex. Foi rotina, sem eventualidade: os gols de faltas, os gols de cruzamento, de escanteio ou de bola parada, e os gols pela genialidade de descobrir o espaço para chutar ou lançar. Por mais que o tempo atropele as lembranças, não deixar a desgarrar dos mineiros esta grande verdade: Alex “ganhou sozinho” esse título. A foto oficial estará na lembrança.
Sucesso
No sábado, o treinador Mário Sérgio fez um circuito do céu ao inferno. Não obstante a incompreensão da torcida que o chamou de burro, terminou no céu. Além de ser correto, tinha do seu lado Alex Mineiro e Adriano. O Atlético ganhou do Guarani (3×1). Prevaleceu a mística da Arena: sete mil torcedores. O jogo era só de tabela.
Fracasso
Antes quando o Coritiba não ganhava, a culpa era da falta de qualidade dos jogadores. Agora, soma-se ela, a falta de bom senso tático de Bonamigo. Precisando ganhar do inexperiente e desclassificado Vitória, em um Barradão vazio, o Coritiba jogou retraído, medroso e frio. Recuado, atraiu o Vitória e mereceu perder (1×0). A história está se repetindo pela falta de ousadia.