Estrago

Não há nada mais grave do que, tendo o poder de decisão, especular sobre um assunto que não entendemos. Um dos grandes defeitos dos cartolas no futebol brasileiro é que, por vaidade, arbitrariedade ou até interesses (às vezes, os três), pensarem que entendem de futebol. Tornam-se curiosos e provocam estragos no clube.

Veja só o caso de Mário Celso Petraglia no comando do Atlético. O clube entrou em férias, classificado com sobras para a Libertadores. Sem explicação, demitiu toda a comissão técnica e desmontou o time. Trouxe o espanhol Ángel Portugal da amadora Bolívia para montar um time durante a Libertadores. A aventura espanhola foi resolvida pelo acaso que atendia pelo nome de Leandro Ávila, assessor técnico do CT do Caju.

Leandro assumiu o time na boca da zona de rebaixamento e, com 100% de aproveitamento, colocou-o na boca da Libertadores. Mas, aí, Mário Celso Petraglia, para exercitar a sua curiosidade durante a Copa do Mundo, tirou Ávila e trouxe Doriva, mandou Antonio Lopes embora e arrumou um emprego para o seu parceiro Márcio Lara.

Repito porque são fatos que não podem ser desprezados: saiu Ávila com 100% de aproveitamento, veio Doriva; saiu Antonio Lopes, com uma vida de título, para que Márcio Lara fosse empregado no futebol. O direito de o cartola proceder as mudanças, tem um limite. No caso, Petraglia abusou desse direito, provocando um estrago na bela campanha que o Furacão realizava no Brasileiro.

Se Leandro Ávila foi um belo acaso, agora vai ser usado como um remendo. Pode dar certo, mas pode não dar certo. Porque não pense o torcedor que Ávila poderá resolver imediatamente os problemas como resolveu na primeira vez. Naquela época a maioria dos times estava contratando e ganhando acerto tático. Agora, o campeonato já está na metade e essa maioria já está bem formada.

Ao contrário, a aventura irresponsável com Doriva desmontou taticamente o time e escancarou as deficiências individuais, tendo como consequência a perda da autoestima e da confiança, que são pressupostos para fazer jogar um time limitado e inexperiente.

Em oito meses, o Furacão trocou quatro vezes de técnico.

Os atleticanos precisam resolver uma questão: o Atlético pertence a eles todos ou a um só?

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