Estrada da perdição

O torcedor do Atlético, agora, obrigou-se a adotar o sofrimento como o valor mais elevado que se pode ter.
Quando o sentimento de sofrer como se fosse um cristão primitivo, é maior do que a própria paixão pelo grande clube que parecia valor insuperável, é sinal definitivo de que as coisas já caíram na perdição.
O fracasso retumbante neste Brasileiro nada mais é que o resumo histórico do tratamento impessoal, da soma de todos os erros, que deram ao futebol atleticano depois da divisão da história.
Se antes era um tratamento amador, sob o fundamento do idealismo, passou a ser messiânico, que se cobria de lantejoulas, que se fazia acreditar, contra toda a evidência, numa redenção iminente, que iludia abrir as portas do céu.
Adiante o filme.
Agora, o futebol do clube pratica a mais pura, a mais viva, a mais concreta e a mais degradante manifestação de incapacidade. Não no sentido de errar, porque o erro é nosso companheiro diário, mas no sentido da incapacidade de corrigir.
O ano só agora está chegando à metade, e o CT do Caju vai receber o seu quinto técnico. Já não tenho mais certeza se o Atlético é quem é vítima de maus técnicos, ou se bons técnicos são vítimas do Atlético.
Atribuir o atual fracasso técnico só a falta de jogador é tornar pó o fato nuclear, que está na absoluta falta de discernimento do Dr. Malucelli para reagir como presidente de um clube que tem o futebol como objeto social.
Não pretendo transferir a responsabilidade por esse estado, porque sei como é a ética que conduz a vida das pessoas e como a hierarquia no futebol, às vezes, impede que as coisas possam tomar outro rumo.
O que não pode é ver o Atlético esfarrapado dentro de campo, como está se vendo desde janeiro de 2011, sem que ninguém, por ética, hierarquia ou medo, procure mostrar que ainda há vida.
O Atlético como instituição tem que tomar alguma providência.

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