O português José Mourinho, técnico do Chelsea, está suspenso dos jogos decisivos pela Copa dos Campeões. Insinuando que Rijkaard, técnico do Barcelona, foi ao vestiário do árbitro, provocou, segundo os juízes da Uefa, um ato repulsivo por violar princípios de respeito à pessoa humana.
Se por aqui não tivéssemos uma Justiça Desportiva silenciosa, hoje, de ofício, haveria uma denúncia contra Antônio Lopes. E antes da final, o treinador do Coritiba estaria suspenso.
Ontem, depois do jogo no Pinheirão, foi até ao árbitro Evandro Rogério Roman, e o acusou de ter expulsado Flávio e Vital a mando do Atlético. O mais grave é que reclama pelo propósito de ganhar benefícios, porque a sua experiência deve lhe convencer que Vital e Flávio foram justamente expulsos.
Com uma folha de serviços irrepreensível como treinador, Lopes já começa a sentir o peso da idade. Inseguro pelas inúmeras deficiências do seu time, algumas delas provocadas por seus equívocos, tornou-se impaciente. Parecendo superior, quer impor-se através da autoridade que pensa ter, provocando uma violência ética ao pressionar publicamente os árbitros. Já deveria ter aprendido que o homem público e de comando exerce influência sobre o povo. O surto de indignação de Lopes não deveria indiscriminadamente levar a um discurso que ofende e agride a condição moral de pessoas.
No futebol a palavra de um técnico, principalmente se ele tem o prestígio de Lopes, torna-se mandamental. Por isso, o juízo de valor sobre determinadas coisas tem que ser temperado e, se estimulado, tem que ser fora do âmbito público, sob pena de provocar um descontrole e um estado temerário, com gravíssimas repercussões.
O que assusta, é a Federação Paranaense de Futebol, os árbitros e o Tribunal de Justiça Desportiva assistirem candidamente essas agressões, sem oferecer uma única resistência.
As ofensas de Lopes, ontem, foram gravíssimas. Extrapolaram o limite da moral. Provocaram a própria segurança da grande final. A Justiça Desportiva hoje, se não for omissa, tem que intervir. Lopes tem que ser afastado da beira do gramado das finais, pois suas ações já provocaram uma cisão no sentimento do torcedor. De repente ele pode acreditar que o seu time perderá o título por causa da arbitragem.