Pela primeira vez na história do Atlético, um dirigente foi causa para uma manifestação popular que não ficou nos limites “queremos time” ou do apelo para a mudança de técnico. Desta vez colocou-se em dúvida a transparência dos negócios que se fazem no Atlético.

Oitenta anos não são oito anos. Estão bem longe de oito dias. Em toda a existência, nenhum dirigente do Atlético foi constrangido com uma manifestação desta natureza. Pode estar nela um fato não verdadeiro, não sei. Pode ser uma verdade de que tão verdadeira não precisa ser demonstrada, talvez. Mas o que se estimula entre quatro paredes, passou a ser coro de arquibancada. É quando a lenda torna-se mais forte do que a própria história. De repente, rasga-se a história mesmo sendo ela só de realizações.

Não existem razões para atos praticados por autoridade intransigente e arbitrária. Não existe poder natural, despótico ou ditatorial, que se sustente sem o apoio popular. Um dia mais cedo ou mais tarde vai cair. No caso do Atlético é mais grave ainda, na medida em que o ato que subtrai o direito de ir à Arena, não está viciado apenas pelo desequilíbrio financeiro, mas, também, pela ingratidão. O passado é atropelado pelo arbítrio, sabe. Talvez, esteja aí a razão do esquecimento.

Esses pobres que estão sendo escorchados da Arena são os mesmos que estiveram na Rua da Alfândega no Rio de Janeiro para serem solidários no caso da corrupção de árbitros. Esses e os milhares de outros pobres que estão sendo atropelados da Arena são os mesmos que salvaram a pele de quem provocou a causa da exclusão do Atlético de todos os campeonatos.

Pobre não tem trinta reais para ir à Arena. Por isso, não pode ser atleticano, é o que se faz presumir e concluir. É uma discriminação vergonhosa, ilegal, imoral e contra a vontade de Deus. Coincidência ou não, Judas recebeu trinta moedas para praticar a maior traição da história da humanidade.

Não escreverei amanhã, aniversário de oitenta anos do Atlético. Ao invés de festa, farei luto por esses pobres atleticanos.

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