Espetáculos

Já escrevi um dia desses, mas não custa repetir: o Campeonato Paranaense ao invés de uma fonte de análise jornalística torna-se um drama. Quando se espera por qualidade em uma nova fase, presumindo que os eliminados o foram por ser ruins, eis que tudo continua como antes.

Alguém deve ter escrito que Coritiba 2 x 2 Paraná empolgou por causa dos quatro gols; e que ganhando de 3 x 1 em Cianorte, o Atlético o fez por ter sido excelente.

Há duas semanas, Real Madrid e Barcelona empataram a três gols pelo Campeonato Espanhol.

Na sua coluna no Marca, o lendário holandês Johan Cruyff escreveu: ?Nem sempre um jogo com muitos gols é um grande jogo. Normalmente não o é, porque no futebol de hoje, muitos gols significam mais defeitos do que virtudes?.

Do jogo do Couto Pereira, só se pode ter uma única boa lembrança: o gol de Keirrison. E não foi por ter sido surpreendente, lá de longe, quando nada se espera. E não foi tampouco porque foi um chute de contradições, em que o veneno e a beleza conseguem conviver juntos, e confundir-se.

O bonito não visto, e só apareceu para poucos que interpretam um lance: a projeção futura, que Keirisson fez quando a bola, ainda, parecendo bêbada, caia em um espaço forrado de gente.

De resto, foi um jogo pobre de virtudes, em que os erros provocaram os fatos decisivos.

Os do goleiro Artur, em especial, que falhou nos dois gols do Paraná.

Keirrison foi um espetáculo.

O jogo de Cianorte nem precisava ver os 90 minutos. Os melhores momentos poderiam ser suficientes.

Mas nem isso precisou: os gols ofereceram a objetiva razão da vitória do Atlético por três a um. Foi a espécie de jogo em que o antigo principio da lógica, regente da teoria do futebol, remete o melhor para a vitória. É o jogo em que a superioridade individual faz sobrepor qualquer outro fator mesmo no campo apertado do adversário. E o Atlético não ganhou porque foi melhor, mas porque é melhor.

E nem assim deve ter sido um bom jogo. Não existe um bom jogo, quando a diferença é a qualidade técnica de um em relação ao outro. Por isso, dele tem que se pinçar um fato para lembrá-lo. Fácil: o segundo gol de Ferreira, o terceiro do Atlético. Os dribles em velocidade, e a consciência do chute a gol.

Se Ferreira fosse um jovem, jogando o que joga, falando espanhol como fala, seria a fonte para o Atlético terminar a Arena.

Ferreira é um espetáculo.

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