O Brasil ganhou do Japão (3 x 0) mas não foi um time espetacular. Mas o que é um time espetacular, afinal? Minha geração aprendeu que é o time que impressiona pela grandiosidade de seu jogo. Essa lição ensinou que os números da vitória necessariamente têm que ser produzidos por um futebol de beleza rara. Aprendemos que um time espetacular é aquele que vai além da conquista da vitória, que por mais importante que seja, é uma simples consequência da arte.

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Dentro da cultura em que o brasileiro foi criado torcedor, o Brasil não foi um time espetacular, e não será. Não porque não queira, mas porque não pode. O Brasil ou qualquer outra seleção. É que as virtudes individuais, que se juntam para formar o conjunto para dar espetáculo, são raras. O craque, que era regra, passou a ser exceção. Só para ilustrar essa verdade, não há um único jogador esquecido, que o povo e a imprensa reclamam a sua convocação.

Nesse Brasil de Felipão, como era de Mano, e como foi o de Dunga, a raridade de talento individual faz com que conceitos que pareciam absolutos se submetam à intransigência da disciplina tática, que privilegia o uso do físico. O Brasil ganhou de um inexpressivo Japão, porque foi melhor, mas, também, porque fez mais faltas, motivo de felicidade para Felipão.

Diremos que, assim, o Brasil não irá ganhar a Copa das Confederações. No futebol é como Chico Buarque escreve: é esquisito ter lembranças de coisas que ainda não aconteceram. Os olhos da minha geração precisam olhar o futebol com mais renúncias. O futebol em campo, definitivamente, deixou de ser um espetáculo. O espetáculo é a vitória e, ainda assim, quando se conquista.

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