Escolha de Sofia

Todas as lágrimas brasileiras estão sendo choradas por Neymar. Prudente, prefiro deixar algumas pela ausência de Thiago Silva. Concordo que a simples exclusão de um jogador como Neymar já antecipa transtornos técnicos. É uma dessas raridades, que traz escondido o imponderável como a solução para um jogo; e, psicológico porque basta a sua presença para que se determine a ordem de um jogo.

Mas qual a extensão dos danos, que podem causar a ausência de Thiago Silva? Irrepreensível está sendo o seu futebol. Em alguns momentos, com David Luiz desafia os limites do ser humano e chega à perfeição. Pode parecer um absurdo afirmar que Thiago, um zagueiro, pode fazer mais falta que Neymar.

Em tese, a do atacante, e ainda mais se tratando de Neymar, será sempre a mais sentida. Mas no caso, a análise reclama a importância prática em razão de como o Brasil joga. Todo o jogo brasileiro tem uma concepção defensiva e de marcação com base em Thiago Silva e David Luiz. A técnica irrepreensível que permite transformá-los muitas vezes em meia, a inteligência para encurtar o caminho de combate pela cobertura e pela antecipação, e a personalidade com que fazem tudo isso, criam o núcleo estrutural do time. Os alemães são terríveis. Por ser metódico, o jogo deles se torna até esquisito. Parecendo humildes vão jogando como se fossem apenas coadjuvantes. Quando menos se espera, há uma bola saindo de Lahm e outra de Schweinsteiger, que se tornam mortais na cabeça do zagueiro Hummels ou nos pés de Muller.

Diante dessas circunstâncias, se fosse possível escolher quem o leitor escolheria: Thiago ou Neymar?

Alma

Morreu Assis, a alma do Furacão de 1982/1983. Quando a saudade se eterniza, as palavras podem esperar. Sobre Assis, escreverei.

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