Como era bom dar palpite na escalação do meu time. Sei que o técnico não me ouvia, mas as sugestões com base em muita paixão e pouca razão me dava conforto, uma autoridade ingênua. Não sei se hoje a imprensa exerce alguma influência sobre as decisões de um treinador. Por vaidade, os treinadores afirmam que não. Mas sabe-se que é como antigamente. Pior ainda, com as redes sociais, essa influência torna-se indireta, pois nasce das análises críticas de rádio e jornal.

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Sem pretender influenciar o treinador Cristóvão Borges, mas exercendo um direito de opinião, andei escalando na memória o Atlético para iniciar o ano. Meu time seria esse: no gol, Weverton, nas laterais Léo e Sidcley, na zaga Paulo André e Thiago Heleno. No meio, Cleberson, Otávio, Vinicius e Marcos Guilherme e no ataque Walter e Nikão. É possível que entre os atleticanos a base seja essa com uma ou outra variação. Com certeza, no “meu Furacão” há uma provocação: Cleberson como volante.

Dirão que Cleberson é zagueiro, e que é na zaga é que tem que ficar. Ocorre que já há algum tempo a função de volante deixou de ser limitada à proteção pelo contato físico e de marcação. O time que usa o antigo conceito de “cabeça de área” já entra com 10 em campo. A posição exige além de virtudes para conter, a capacidade de jogar com a bola, criar e participar do jogo na linha de defesa inimiga.

E o que é Cleberson? É esse jogador. De excelência técnica, com noção de espaço e tempo para se antecipar, seria um desperdício sobrando como zagueiro. Se não for escalado como volante, terá que ser zagueiro porque é melhor que Paulo André e Thiago Heleno.

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Em bom estado (não aquele do Cruzeiro), Paulo André será importante. O Furacão precisa de uma liderança que nenhum outro jogador do time pode exercer. Não se limita à liderança em campo, mas fora dele para um grupo que basicamente é de jovens. Por isso, o Atlético sentiu quando Gustavo foi embora para o Bahia.

Pergunto: falta o que no “meu Furacão”?

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De primeira

O desarme da corrupção da FIFA só ocorreu quando a imprensa inglesa entrou com uma ação pedindo para ser afastado o sigilo dos processos contra os dirigentes da entidade. Não seria o caso de algum órgão da nossa imprensa levantar em juízo o sigilo do inquérito que apurou a participação de deputados no desvio do dinheiro da educação? Aqui é o caso em que o sigilo traz prejuízos para o processo.