Existem erros para os quais, nem mesmo o sacrifício da penitência para se alcançar o perdão, é capaz de repará-los. Não sei o que devo rezar para receber, o perdão dos tricolores do Paraná pelo erro mais de visão do que de interpretação. Seja qual for a penitência, peço perdão: a ilegalidade do gol de Lenny do Fluminense, no jogo de sábado no Maracanã, foi dessas flagrantes, acadêmicas, que viola todos os princípios elementares da lei do impedimento.
A cadeia de impedimentos do lance foi o toque de Tuta para Lenny, que vinha de trás. Como já existia a nulidade na origem (Tuta), nulo foi o gol de Lenny, vindo ele de trás ou não. O meu erro foi desprezar o toque de Tuta, e ter como referência o primeiro lançamento com vistas a alcançar Lenny.
O Paraná, agora, quer a anulação do jogo tendo como causa o erro de direito.
O pênalti contra o Fluminense não marcado, embora tenha existido, não é causa por ficar no campo da interpretação do árbitro. O gol de Lenny, embora tenha sido um erro de direito, só pode ser causa se existir prova de que ele influiu decisivamente para a ocorrência do resultado. Infelizmente, a prova ainda fica por conta da convicção do julgador. E criar convicção contra o Fluminense nos tribunais desportivos é quase impossível.
Constrangimento
De forma indireta, o comando do Coritiba deu ordens para o treinador Estevam Soares mudar o discurso, deixando de transferir responsabilidade para derrotas. Estevam não deixa de ser um bom técnico, ou pelo menos um técnico no mesmo estágio da maioria no futebol brasileiro. Mas tem um grave defeito: às vezes cria mágoa de grupo porque não divide responsabilidade. Foi assim no Palmeiras, não deixou de ser assim no São Caetano.
O treinador ao criar a ficção de que o Coritiba foi goleado em razão do plano de vôo, provocou insegurança em todos no Couto Pereira. Existe agora só uma verdade para Estevam: o Coritiba ganhar do Sport.