O Grêmio não tinha dado nem para o começo. E por isso, o Atlético dava um passeio, fazendo de Erechim um quintal bem cuidado de Curitiba. Ganhava de três a zero, jogava a bola na trave, e por ter um amplo domínio, absorvia os gols que perdia. A sensação de todos os atleticanos, adversários e rivais, era a de que ali já estava o futuro campeão brasileiro.
O Atlético não ganhava de três a zero porque o Grêmio jogava mal. Ganhava e tendia à goleada, porque a sua superioridade era absolutamente natural.
Mas, então, não se sabe porque, e agora nem é preciso porque, nem um porque irá explicar, o treinador Levir Culpi cedeu aos temerosos caprichos inerentes a quem manda: tirou Fabiano e Denis Marques. Ruiu o sistema. Sem Denis, as jogadas em velocidade desapareceram, e a bola nunca mais ficou retida na frente, que implicou no recuo do time; sem Fabiano e com a lentidão de Pingo, a marcação ficou frouxa, os espaços surgiram e foram ocupados pelos gaúchos para executar cruzamentos. Vejam outra vez o gol de empate de Cláudio: quem cruzou teve tempo ilimitado no último segundo, para pensar, olhar e ver, sem que nenhum atleticano lhe perturbasse.
O resultado lógico dos erros não demorou muito, e veio no momento brutal, que choca e cala: no último minuto, quando o tempo já está esgotado, e a força já alcança o estado de fadiga. O Grêmio que estava morto e sepultado, ressuscitou. Despreocupado atrás porque Washington estava abandonado e sob domínio avançou, e com bolas na área, aproveitou-se do crônico e incorrigível erro de posicionamento da defesa atleticana.
Então, o jogo que estava ganho, terminou três a três.
Um desastre, que Deus queira não venha a ser confundido com fatalidade.