No futebol o conceito de espetacular foi vulgarizado: qualquer jogada de efeito, qualquer vitória mesmo carregada de emoção, qualquer ato ou fato inesperado, é identificado como uma grande representação. Mas nem tudo que parece grande é espetacular.
Espetacular vem de la spetaculu. É uma representação pública que impressiona em razão da sua grandeza. Não foi só espetacular a vitória do Atlético na Arena sobre o Cruzeiro por 5×4. Mas o jogo que fez para lhe servir de trânsito: no gol do menino Schumaker, que carrega nome e cara de alemão, e alma nascida em berço atleticano, tornou-se comovente. Um espetáculo comovente é quando a grandeza faz jogo com os sentimentos. Vitória para nunca mais esquecer. Herança da memória, espólio do coração, história definitiva para ser contada por sucessores de gerações. De tão bela será contada de várias maneiras, podendo ser uma lenda com o começo de era uma vez…
Não existiu um jogo brilhante em si porque o certo esteve exatamente no aproveitamento dos erros. As defesas, lentas como nos gols de Kelly e Adriano, desatentas como nos de Finazzi. Mas existiu um espetáculo em que todos pareciam vestindo o ideal, abandonando a convenção maldosa de priorizar a marcação como meio de não perder ou de ganhar.
Fazer uma análise tática do que foi o espetáculo é correr o risco do engano. Em um jogo de nove gols não existe projeto que ofereça ordenação tática a um time. Mais ainda em um que a vantagem de dois gols parecendo a vitória definitiva (Atlético 4×2), transformou-se em um empate no último minuto (4×4). E quando a solução já parecia dada, e seria também justa, ainda restava um sopro de tempo e de vida para o quinto gol.
É vitória como essa que expande a grandeza de um time. Como fora àquela de 7 a 2 contra o Vasco. Mostra que os fatos não são um mero evento de ocasião, adotando-os como rotina. Sabe-se que algum fato espetacular sempre vai acontecer na Arena.
Força
O Paraná jogou mais do que o Santos em Maringá. Impôs comando no placar ainda no primeiro tempo, mas praticou a irônica contradição: ao invés de continuar marcando, atacou. Deu espaço para Robinho e aí Basílio empatou. No entanto não ganhou porque faltou qualidade na conclusão.
O empate (1×1) acabou sendo melhor para o Santos que merecia perder.
Depois, o Coritiba conquistou a sua mais importante vitória neste campeonato: 3×0, em Campinas contra a Ponte. Não foi pela vitória em si, mas pelas circunstâncias: teria que ganhar. Ganhou jogando bem, o que tranqüiliza o ambiente que já começava a deixar muita gente contrariada com Cuca.