Escolher, às vezes, transforma-se em um esporte radical. Então, qualquer opção se torna penosa. A hipótese oferecida para enfrentar a crise de dinheiro da construção da Baixada, foi posta quase próxima da fatalidade. Um fato simples de administração pública foi impregnado da rivalidade tirada das arquibancadas.
Os atleticanos comemoram a aprovação da lei que adequou o valor da garantia pública ao suposto valor da obra, como se fosse uma vitória do Atlético. Está ai uma grande equivoco. Há, ainda, um descompasso entre o valor que vai entrar e o que será gasto.
Só que agora, o dinheiro para obra da Baixada, definitivamente, não é mais problema do município de Curitiba e do governo do Estado. As obrigações exigíveis foram cumpridas. Nenhum acréscimo, que é absolutamente previsível no valor final, pode ser reclamado aos parceiros públicos.
Agora é só com Petraglia. E é ai que surge um buraco negro Petraglia, por sua natureza, às vezes pratica excessos pensando está fazendo o extraordinário. Vai ter que fazer o que quem o conhece diz ser impossível, que controlar a si próprio.
Amor
Sou apaixonado pelo centro de Curitiba. Dele, dos cantores de rua. Da janela do escritório, de frente para a fonte da XV, vejo passar um grupo que parece sem rumo, cantando em uma só voz a canção que o coração nos ensinou: “a tradição vigor sem jaça, nos legou o sangue forte, Rubro Negro é quem tem raça e não teme a própria morte”.
Desço e num cantinho da Praça Zacarias ouço um grupo cubano cantando “Yo soy um hombre sincero de donde crecen las palmas”, extraída da eterna “Guantanamera”.
Atravesso a Oliveira Belo, e na frente da CAIXA, paro para ouvir um casal de cegos cantar moda de viola. E como se cantasse só para mim, bota no ar “Chico Mineiro”: “Fizemos a última viagem. Foi lá pro sertão de Goiás. Fui eu e o Chico Mineiro. Também foi o capataz”.
Já é noitinha, e as saudades de quem amo me empurram de volta para a casa. Vou, mas não vou sozinho. Levo as vozes das crianças do HSBC cantando o Natal que John Lennon nos deixou: “Então é Natal”.
Aos meus leitores, Feliz Natal e um ano 2013 cheio de paz.
A coluna volta a ser publicada em um dia qualquer do próximo janeiro.