Quando eu escrevi que pelas circunstâncias (falta de time, de dirigentes e de idéias), não é possível afirmar que o Atlético tenha contratado um grande técnico, não quis dizer que Paulo Autuori é um mau técnico. E nem poderia lhe dar esse tratamento porque teria que ir contra fatos. Mas insisto: Autuori será mais um treinador de breve passagem, se permitir que a formação de um time seja baseada na opinião de Paulo Carneiro, que trouxe Anderson Lopes, André Lima, Tiago Heleno e Pará, todos parecendo virem da várzea.
Presumo até que Autuori, em razão de seus atributos pessoais, vá se sentir desconfortável em conviver com as posições atuais da gerência do futebol. A sua vinda pode se tornar sadia, e em médio prazo, ter boa influência no futebol do Furacão. Mas isso está condicionado à mudança de homens no CT do Caju. É contraditório colocar no mesmo ambiente a capacidade de Autuori e a incompetência de Carneiro.
No Mineirão, o Atlético perdeu para um misto de reservas e juniores do Cruzeiro, 2×1. Para se classificar, o que parecia vir da lógica, passou a ser dependente do Flamengo, que não perdeu para o Figueirense (1×1). O novo fracasso (o sexto em sequência) provou, definitivamente, que a pré-temporada, outra vez, foi jogada fora. Para jogar no Mineirão, tirou Pablo do fundo do baú, Pará da cartola, e Giovanny ninguém sabe de onde. Ganhava por um a zero (gol de Pablo), mas quando precisou do mínimo de qualidade para manter a posse de bola, fracassou. Em dez minutos, aproveitando da lentidão de Paulo André e Vilches, da falha de Weverton (a bola passou à sua frente) no gol de Coutinho, o time mineiro empatou e virou. E provando que jogou fora os dois meses de pré-temporada, usou Nikão, gordo e fora de forma, para perder um pênalti no final. Esse erro pode ser tomado como referência do Atlético prometido na campanha por Petráglia e Emed.
A classificação para a outra fase não me engana.
Refém
Coritiba e Avaí, sem chances, com times reservas, se despedem da Primeira Liga no Couto Pereira. Fato relevante: o jogo será às 21h45. O horário vai contra todos os princípios que sugerem a Primeira Liga como a revolução do futebol brasileiro. Não precisou muito, para esses dirigentes mostrarem que as suas propostas não mudam das velhas convenções que apodreceram o futebol brasileiro. Em um mês, a Primeira Liga já se tornou refém da televisão.