Encrenca

A evolução das táticas e dos métodos de preparação física, os campos ruins e os gramados desnaturados, a falta de craque e o equilibrio pela má qualidade técnica – isso e um pouco mais (talvez, bem mais), interviram no futebol e acabaram com o que antigamente nós chamavamos de zebra. Por isso, no futebol de hoje, qualquer resultado, se não está dentro da lógica, também, não é produto do acaso. Não há quem corra o risco de afirmar que uma situação, em tese definida, está resolvida. No máximo, coloca-se uma condição. Bem resumido, adota-se a máxima de que no futebol tudo é possível.

Esse sentimento deve ser interpretado como respeito ou falta de confiança? Entendo que a falta de confiança tem origem no excesso de respeito. Um fracasso que surpreende por se afastar da lógica tem origem muito mais na negligência do favorito do que em qualquer outra circunstância. Entendo que não existe mais surpresa no futebol, pois nada é por acaso.

Dessa teoria pode se afirmar: Coritiba, Paraná, Jotinha e Atlético devem fazer as semifinais do Estadual. Coritiba, Paraná e Jotinha, porque têm números folgados, jogam em casa, e a regularidade atual mantém a lógica por perto.

O Furacão é uma encrenca para qualquer cronista. Tem mais jogadores de ponta que o Londrina, joga em sua grama sintética na Baixada, com o apoio de no mínimo 12 mil torcedores – mas ele próprio, em razão de ser instável, não se arrisca a se garantir. Só que domingo há um fato que se torna relevante: a obrigação de vencer. Essa obrigação, nos profissionais da antiga, criava um ambiente de tensão, do qual se extraia a responsabilidade. Não é obrigação decorrente da condição técnica ou individual, porque essa pode ser equilibrada pelo bom Tubarão. É a obrigação moral, porque se presume, que os profissionais (de campo e fora dele), tenham o mínimo de respeito pela torcida. Se sair agora do Estadual, será a falência técnica, individual e moral desse Furacão.

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