Lembremos da imagem do final do jogo de Campo Mourão: os jogadores do Coritiba, do glorioso Coritiba, do campeoníssimo Coritiba assistem ajoelhados no centro do gramado a decisão por pênaltis. Uma manifestação de fé ou uma submissão técnica?
Então, recuemos um pouco e lembremos dos momentos principais do jogo. Desmontado no esquema que lhe dava regularidade, pelo seu técnico Estevam Soares, o Coritiba se submetia à jovem Adap. Onde ia um jogador da Adap, tinha um do Coritiba correndo atrás. E sempre chegando depois.
Eis, então, a verdade, que embora prematura por se tratar de futebol, acabou sendo a final: já no intervalo, a pouco crescida Adap é quem parecia o grande, o glorioso e o campeoníssimo. Contrastava com um Coritiba amedrontado, recuado, anarquizado pela falta de qualidade do time e pelos equívocos do técnico. Três a um no intervalo para o coxa de bom senso, foi até um conforto. Era para ser quatro ou cinco.
Mas o placar de três a um para a Adap àquela altura (era intervalo) não era o mais importante. No caso do tema ser uma derrota e não uma vitória, o que não era mais importante, era mais constrangedor. Nem o gol de Anderson, que provocou um fio de esperança (por favor, não lembrem de Telê Santana, ?o fio de esperança?), foi capaz de evitar o pior.
E o pior não foram os pênaltis perdidos, e não foi a derrota final, e não foram as lágrimas de Guilherme, Vagner e Anderson, que ainda meninos, são ingênuos para acreditar que a verdade está só no ideal.
Lembremos do pior. O Coritiba, bem antes do final, parecia pedir aos céus para o jogo terminar. Bem antes dos pênaltis, já não tinha a mínima organização, bem antes dos pênaltis, já esfacelado, perdia-se por cansaço como na expulsão de Peruíbe, e nas câimbras de Anderson e Jackson. E a solução foi nos pênaltis, foi porque a Adap não sabia jogar mais do que jogou.
Então, lembremos da cena final. Abraçados e ajoelhados, os jogadores coxas ao invés de provocar comoção, provocaram choque. Pareciam muito mais incumbidos de apagar da memória a história de grandeza, do que serem transmissores da fé.
E como todo o pequeno submete-se aos encantos inclusive de estranhos, o Coritiba está fora do campeonato estadual. Coincidência ou não, embora por motivos diferentes, encontrou-se com o Atlético, abraçando-o em uma solidariedade de desgraça. Coincidência ou não, ambos grandiosos, submissos à pequenina Adap.