Se ainda eu fosse repórter de rádio, e se cobrisse o Coritiba como há 25 anos, estaria exultante com a contratação de René Simões para treinador.
É que René é um ?prato cheio? para o jornalista. E em especial, para o repórter de rádio.
Estudioso, é absolutamente perfeito na gramática portuguesa. Em um ambiente descontraído, é capaz de declamar Camões. Com poder de improviso, tem o dom de criar e desenvolver um tema, sobre qualquer assunto, em qualquer circunstância, a qualquer momento e em qualquer lugar. René é o que os italianos identificam como ?um encantador de platéias?.
Falar inglês é com René. Há quem jure ser capaz de arriscar no original dissertar um trecho de Sonho de uma noite de verão, de Shakespeare. Mas também é com ele falar francês, espanhol, grego e até árabe. Culto, é um devorador de livros. Sabe de filosofia. De literatura, então, vence um desafio e aponta um por um, todos os amores contrariados dos personagens de Gabriel Garcia Marquez, no Amor no tempo do cólera.
É um professor: dos princípios básicos de medicina esportiva e de noções preliminares de direito em razão da lógica de vida. Domina as modernas formas de administração. Sabe de finanças, de economia e de gerência, também. De política, sabe tudo; e de político, só não tem a demagogia e a vontade de ganhar trocados gratuitamente.
René é um cavalheiro. Na Inglaterra, seria chamado de lord. Educado, às vezes é tão gentil que constrange o seu interlocutor. Honesto, é incapaz de causar constrangimento pessoal a alguém.
Sabe tudo da vida.
Por isso, também, sabe o que é desgraça.
Foi com ele que o Vitória da Bahia caiu para a terceira divisão.
René e o Coritiba que sejam felizes a partir de hoje.
De primeira: Estou viajando. Farei minha viagem anual para a bela Monte Carlo. Segunda-feira, estarei de volta.