Emocionado, acabo de ver Liverpool 4x 3 Borussia Dortmund, pela Liga Europa. No Anfield, os ingleses perdiam: 2×0 e 3×1, precisando, então, ganhar de 4×3. Na última bola do jogo, fez o quarto. Foi daqueles jogos que a história tem que recolher e guardar como eterno. Em 2005, em Istambul, já tinha sido assim pela Champions. Perdia para o Milan por 3×0. Empatou 3×3 e ganhou nos pênaltis. O Liverpool mostrou porque os ingleses o tratam como “imortal”.
Agora volto à nossa realidade. Ela não é muito agradável: o nosso bucólico Estadual chega à semifinais como um fracasso de público, de renda, de qualidade técnica (nenhum grande jogador, nenhuma grande revelação), de conservadorismo tático (o líder Coritiba é o exemplo), de prejuízos para os clubes – e de lucro só para a gulosa Federação de Helio Cury. Aliás, o presidente da FPF é o espelho que reflete esse campeonato. Mas é a realidade, que inevitavelmente temos que viver nessa época do ano.
Com o Coritiba sendo a única certeza na disputa com o PSTC em razão de tradição, diferença técnica e poder, criamos um mundo de faz-de-conta em torno de Paraná e Atlético. Se essa disputa fosse há um mês, era possível cravar o Paraná como favorito. Mas um mês passou, e quando se esperava o Tricolor evoluir, regrediu. É possível concluir que ganhava pela superação, virtude por esconder as carências individuais, tem limite. E quando esse é alcançado, esvazia-se. Só superação é pouco para jogar com o Furacão na Baixada.
O Paraná chega inseguro para esse confronto.
E o que esperar do Atlético? Escrevi um dia desses, que o Furacão é uma encrenca para qualquer analista por viver em permanente equívoco: viva estimulado pela ilusão de ter um grande time em razão de nomes, e no campo prova ao contrário. E é esse equívoco o grande problema, pois os jogadores acreditam na ilusão. Se um time que tem Weverton, Jadson, Otávio, Vinicius, Walter e André Lima tiver vontade, torna-se favorito em dois jogos contra o Paraná.
O Furacão chega como incógnita para esse confronto.
Como se vê nessa pendenga tudo é possível.
Desculpe o leitor. Sei que não assumir posição desvaloriza a opinião.
Mas eu não tenho culpa se o Atlético não sabe o que quer da vida.