Emoções reprimidas

Mais do que triste a derrota, foi patético o jogo do Atlético. Ficou de graça o resultado de 3×1 para o Avaí. Era justo que fosse por mais, tamanha a mediocridade do time rubro-negro, que atarantado, cada um indo para um lado, e às vezes todos para o mesmo lado, era o espelho de um técnico trôpego como é Waldemar Lemos.

Do jogo, dos erros e da derrota, portanto, do óbvio já se falou. Esqueceu-se do mais importante: que tudo vai continuar como está, e o Atlético assim, com um apetite de hiena, está indo para a segunda divisão.

O importante que não se vê é a falta de emoção diante da perda iminente. O dr. Malucelli é um doce de pessoa com os atributos do Jorginho, seu pai, um homem competente para ser advogado, um talento para cuidar de obras de arte. Mas o futebol exige outro comportamento.

Suas emoções, pela sua personalidade, são reprimidas. Para a vida não é um defeito, mas para o futebol é um perigo. Involuntariamente, se faz uma pessoa especial, isolando-se em uma redoma: não lê jornais de Curitiba, não ouve comentários no rádio, não vê programas esportivos na televisão, e só lê o jornal O Estado de S. Paulo à noite, quando as notícias já ficaram velhas.

Se fosse diferente, se ouvisse os comentários de Sicupira e Fernando Gomes sobre um jogo do Atlético, se lesse a crônica de Carneiro Neto, e as manifestações dos torcedores em sites, poderia ganhar um incentivo para soltar as emoções e afastar desse estado reticente, que está o futebol atleticano.

O que acontece agora é consequência do retardo das emoções que protegeram por seis meses Geninho por “gratidão”, resultando no engano de planejamento para o Brasileiro. Vieram Paulo Baier, ganhando salário milionário, e portanto desproporcional à sua condição física, e Eduardo, que já foi embora. A reposição foi pior, porque o presidente angustiado, não quis esperar uma semana para escolher um novo técnico, e foi se agarrar em Waldemar Lemos, que eu errei ao imaginar ser incompetente. É pior: é um curioso que se apresenta no mercado como técnico de futebol. Portanto, um enganador.

Emoções que ficam hibernadas, quando saem, ou não sinceras, não é o caso, ou estão velhas. No futebol quando se começa um trabalho errado como começou com a “gratidão” por Geninho, só consegue salvar o objetivo com atitudes de impacto, portanto, imediatas. Assim era como Petraglia conseguia salvar a sua pele, pelo mau gerenciamento do futebol. Não se trata de imediatismo, porque esse contém o improviso, mas sim de atitudes que exigem soluções imediatas e para as quais se exige previsão de acerto. Se não houvesse essa inércia que paralisa a tomada de atitudes, Waldemar Lemos teria que ser demitido no sábado após o jogo, não pela derrota, mas pelo fato de ter mentido pelos microfones, chamando toda a torcida de burra, ao dizer que o time foi bem escalado e que jogou bem.

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