Deplorável, embora seja um termo pesado, é o termo correto para explicar o estado das categorias de base dos clubes de Curitiba. Leia a convocação para a Seleção Brasileira que jogará o Sul-Americano Sub-20 em Assunção. Nela não se encontra um único jogador dos nossos clubes. Talvez a exceção de Eltinho, lateral-esquerdo do Paraná, não houve nenhuma injustiça. E Eltinho não foi porque, além da Ponte, ninguém trata o tricolor com respeito.
O Coritiba se encheu de ?pangarés?, o que impediu estimular a renovação de um novo ciclo como aquele de Rafinha, Miranda e Adriano. E como tudo ocorre ao natural, Giovani não deixa por menos, e agora traz um ?pangaré? para técnico.
Não obstante ser deplorável, ainda resta uma atenuante para Coritiba e Paraná: aquele caiu e mantém-se na segunda divisão, e isso provoca desespero de comando, que não consegue ver e pensar regularmente; o Paraná improvisa o projeto com o mercado de risco.
E quando revela por não ter outra fonte de renda, torra por trinta moedas.
Mas se o termo deplorável cabe para alguém nesse aspecto é para o Atlético. Está finalizando um dos maiores e mais bem equipado centro de treinamentos de futebol do mundo, o CT do Caju. Raríssimos são os clubes, que atendem as exigências do futebol atual como o Atlético. A estrutura criou não é apenas física, mas de toda a natureza. A sua exuberância é tão grande, que se prega até a natureza cientifica.
No entanto, toda essa estrutura conflita com a absoluta falta de resultados práticos, cuja manifestação se expressa através de revelação de pelo menos bons jogadores. Revelar craque para quem não consegue o razoável passa a ser um devaneio.
Já critiquei, exaltei, mantive e reformulei algumas posições em relação ao senhor do Atlético Mário Celso Petraglia. Mas dentro dos critérios e projetos de futurismo e de grandeza, acima de tudo da execução perfeita, das duas, uma: ou o discurso é enganoso, ou Petraglia está sendo enganado dentro do CT do Caju pela fórmula científica de Gomes e Oscar. Porque não é razoável construir e investir, o que se constrói e se investe para não ter um único bom jogador revelado. Já nem cogito para a Seleção Brasileira, mas para o próprio Atlético, que é mais importante, e que por isso, então, se obriga a ser dependente de Bahia, Erandir, Jean Carlos, Michel e Cristian, entre outros.
No ano que Petraglia vai cumprir a promessa de terminar a Arena, bem que alguém poderia descobrir três ou quatro jogadores dentro da população flutuante diária de quatrocentas pessoas do CT do Caju.