Elite

Quando escrevo que não há vida sem Atlético e Coritiba nessas bandas, há quem diga que eu discrimino por ser elitista. Nelson Rodrigues escreveu certa vez que há clubes perecíveis e clubes imortais. Não sei se o leitor me entende, mas nas passagens das gerações uns morrem e outros sobrevivem. Entre nós, Atlético e Coritiba sempre irão viver intensamente.

Eis, agora, uma antiga verdade que se renova: bastou o Furacão tomar a dianteira do returno, e ser o favorito para fazer a final com os Coxas, para o Estadual, que estava morto, sem ânimo, ter vida. Irão dizer – e eu já disse, também – que esse Atlético juvenil que está ai é uma ilusão. Mas a nossa vida é guiada pela ilusão. Ela antecede a verdade.

Esse time do Atlético está encantando. Seus jovens foram escalados para serem instrumentos de desprezo e satisfazer ambições pessoais. Mas foram jogando, jogando, e agora não querem mais parar de jogar e de nos dar ilusão.

Na rodada, o Atlético ganhou do Arapongas por 2 x 1. Se não bastasse Douglas Coutinho, agora surge esse atrevido Crislan. E, em Toledo, não precisou muito para os Coxas ganharem: um chute magistral, de falta, de Alex, no primeiro gol, e outro de Rafinha. O Paraná ganhou, mas, mais importante que a vitória, é a afirmação dos seus jogadores vindo da base. E, em Londrina, mesmo com a ajuda da arbitragem, o Londrina perdeu para o Operário: 1 x 0.

A pergunta é: para os Coxas é melhor decidir com o Atlético ou com o Londrina? Com o Atlético, seriam dois Atletibas com público e renda dividida. É que reunidos pelo grandioso Joel Malucelli, Mário Celso Petráglia e Vilson Ribeiro de Andrade, em um encontro, depois de passar a fase de tensão, desarmaram os espíritos. Ninguém toma Romanée Conti de graça.

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