Às vezes e talvez por ser pouco inteligente, sinto-me carente para compreender e ter o exato alcance sobre algumas coisas que acontecem no Atlético.

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Uma em especial. A minha incompreensão e que deve ser de muitos torcedores, que não são necessariamente pouco inteligentes como eu, está no fato de que há quatro anos o Caju é uma cidade com uma população diária flutuante de quase quinhentas pessoas. Deste povo, oitenta por cento são jovens, que em sua maioria está lá há no mínimo quatro anos. Será que um jogador que lá apareceu com quatorze anos, hoje estando com dezoito não pode ser transformado em grande jogador? A essa população é dada uma assistência soberba com técnicos, inclusive alguns identificados como cientistas com salário de 45 mil reais, médicos, preparadores físicos, fisiologista, nutricionista, dentista e psicólogos.

No entanto, não foi revelado um único grande jogador nos últimos anos. Para se ter uma idéia de como as coisas acontecem no Atlético, o último ídolo foi Wa-

shington, não só porque fazia gols, mas porque fazia gols com um coração que lhe deu Constantino. Washington não foi revelado pelo Atlético. Não era nenhuma criança, pois foi ídolo com um corpo de 29 anos, e um coração de oito meses.

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Não se tem um ídolo desde que o ?Coração Valente? foi embora.

A conclusão não exige maior pesquisa ou interpretação. Basta ver o time em campo e responder: desses onze e dos reservas fixos ou eventuais, quem foi revelado de abril de 2002 quando foi autorizado um poder único a pregar e executar as suas idéias, como grande jogador?

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O que me falta é luz para saber o motivo de mortal carência. Bato-me em dúvidas: seria golpe dos olheiros, que desviam o ouro para outros lugares? Ou seria a incompetência dos executivos técnicos, que são preservados porque cumprir ordens patronais conservam interesses próprios?

A minha pouca inteligência torna-se fatal para entender uma outra coisa originada dessa carência de revelação e ídolos: como um clube essencialmente de futebol, que busca consagrar a marca através de um marketing milionário, não tem ídolos, times e ainda se submete a humilhação de ser eliminado por times eventuais como Adap e Volta Redonda, de terceira divisão, sem ter uma única reação? Ao contrário, traz uma comissão técnica baseada no Nordeste, região que nunca foi referência no futebol brasileiro.

Talvez, além de pouco inteligente, seja egoísta. É que é muito para um pobre mortal, querer compreender idéias, interesses, projetos criados e executados por deuses.