É disso que o povo gosta

Está para nascer, para o rádio paranaense, um narrador como Carneiro Neto. Sua narração era cheia de estilos. Do clássico para o moderno, era marcada pela quebra de ritmo para provocar o ouvinte. Tudo isso cercado de cultura, seriedade e um poder inigualável de resolver situações narrativas com interpretações irônicas.

Quando deixou o rádio, carregou de saudades a sua geração de ouvintes. Um desses carneiristas colecionou frases que marcaram alguns momentos de Carneiro. A sua marca era a expressão “É disso que o povo gosta”, após um gol.

A mais fantástica de todas, representa bem o que é o Atlético. Um dia, emocionado com uma vitória do seu time de coração narrou: “Um pouco de teatro, um pouco de religião. O Atlético faz bem à alma do povo.”

Segue:

Atlético x Figueirense, Brasileirão 2004:

“Acaba a partida, vence o Figueirense aqui em plena Baixada. E agora os jogadores do Figueirense começam a se abraçar e a se beijar no meio de campo. A catarinada está ouriçada aqui. E pensei que isto só fosse coisa de gaúcho!”

Treze-PB x Atlético, Copa do Brasil 2002:

“Estamos aqui na cidade de Campina Grande, na Paraíba. Cidade medíocre, aliás!”

Na mesma partida, no meio do jogo:

“Bola com Val Baiano, que passa para Val Pilar… Já me perdi, Remy!”

Atlético x Vasco, Brasileirão de 1999:

“Estamos aqui nesse puleiro chamado São Januário. Aliás, todos os times cariocas estão sediados na Zona Sul, o Vasco é o único na Zona Norte. Quer dizer, é um time varzeano por excelência…

Atlético x Londrina, Campeonato Paranaense de 2001:

“Agora vamos à nota do camisa 9 rubro-negro, Alex Mineiro, o popular “Alex Abraço”. Isso porque a única coisa que faz em campo ultimamente é ir abraçar quem faz gol. Hoje ele ganhou um abraço do Kléber e um do Donizete Amorim, vai feliz da vida pra casa.”

Vitória x Atlético no Barradão, Brasileirão de 2001, dialogando com Remy Tissot:

“Oooo Remy, é impressionante o cheiro horroroso que tem este estádio. Parece até que há um lixão aqui por perto, confirma Remy?

Não, Carneiro. Bom… a baianada também não é fraca.”

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