Os historiadores gostam, também, de especular. Por isso, às vezes, se debruçam sobre dúvidas e querem resolvê-las – o que a história que as criou, não conseguiu. No futebol, uma clássica é: o Real Madrid de Canário, Del Sol, Di Stefano, Puskas e Gento foi melhor que o Santos de Durval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe? Essas duas formações nunca se enfrentaram. No único jogo amistoso em Madri, em 1959, no qual o Real goleou por 5 a 2, o Santos ainda não era o Santos definitivo.
Os próprios historiadores espanhóis desconsideram esse amistoso como referência para tratar da dúvida. Quem foi o melhor: Madrid de Di Stefano ou Santos de Pelé? O futebol é tão poderoso em provocar sentimentos, que às vezes prefere eternizar a dúvida do que acalmar a história com soluções.
Domingo, no Maracanã, Brasil e Espanha irão decidir a Copa das Confederações. Nos últimos cinco anos, os espanhóis ganharam tudo, varrendo o mundo com um estilo do “Santos do Brasil”, como disse um dos seus criadores, o técnico Guardiola. Mas por culpa da decadência técnica do futebol brasileiro, essa Espanha tem um vazio: ganhar, mas derrotando o Brasil.
Os espanhóis correram o risco de abastecer a história com outra dúvida. Talentosos, mas mortais, precisaram passar pelo trauma e usar o casuísmo da decisão por pênaltis para chegar ao Maracanã. A verdade que os espanhóis tanto procuram para eternizar a Espanha dos extraordinários Iniesta e Xavi está bem perto. Só se eterniza no futebol a seleção que derrota os brasileiros.