Para criticar a escolha de Dunga como treinador da seleção brasileira está se recorrendo, também, à sua estranha personalidade.
Concordo e Dunga já provou: é um sujeito que não faz do rancor um sentimento que pode ser escondido. É tão forte que se torna um elemento externo, indisfarçável. Ele próprio confessou agora, que “emocionalmente está mais equilibrado”.
Mas não analiso sua volta pela doutrina do ressentimento. Felipão, até um dia desses se mostrava na igreja, pedia a proteção de Nossa Senhora de Caravaggio, mas, no entanto, mandou “todos para o inferno”, a exceção de seis amigos.
É mais simples negar acerto a volta de Dunga por um fato objetivo: ele não é muito diferente de Felipão. Apenas não consegue disfarçar bem as suas reações pessoas. De resto, como Felipão, não conhece futebol no sentido técnico, de jogo organizado, que precisa ser variado durante uma competição ou um jogo. Seu estilo é do jogo enjoado da escola gaúcha, baseado na pegada para “roubar a bola”(é dele a expressão) e buscar o gol em contra-ataque, mesmo que tenha que sacrificar o talento individual. Não se surpreenda o torcedor, se Neymar voltar à Seleção dando carrinhos. Dunga foi forjado em jogo de quartel. É da sua natureza e não seria, agora, que iria mudar. E isso não interessa ao futebol brasileiro nesse período de clamor público pela restauração do seu brilho técnico.
Há um equívoco quando se atribuem números favoráveis a Dunga no comando do Brasil. Todo trabalho de um treinador visa a Copa do Mundo. Conquistas eventuais, como Copa América e Copa das Confederações se tornam secundárias, quando o objetivo final não é conquistado.
E o Brasil com Dunga, caiu fora da Copa da África, bem antes que o Brasil de Felipão.
De primeira
Se o Coritiba perder em Porto Alegre para o Grêmio, o próprio Celso Roth pode tomar a iniciativa de deixar o cargo de treinador. Já há ideia do seu substituto: Gilson Kleina.