Doutor Francisco

Um grau raro de integridade, harmonia e realizações repassa a vida do jornalista Francisco Cunha Pereira Filho, o Dr. Francisco da Gazeta.  

Dele, tenho uma lembrança, que de tão forte, nunca dela me desgrudei.   Há trinta e quatro anos, era véspera de meu casamento, chamou-me ao seu gabinete.  Deu-me um presente e um conselho.  O presente foi uma caneta: “É para você usá-la quando se formar advogado”.   Mas foi o conselho que me comoveu, porque revelou a preocupação, que só é capaz de ter em um sentimento paternal: “ Tome juizo. E seja feliz”.   

A caneta foi levada por mãos alheias no estacionamento do aeroporto.  Mas mesmo que tenham passado trinta e quatro anos, o conselho continua vivo: sou feliz.  Pena, não sei,  se o Doutor Francisco ficou sabendo que eu tomei juizo.  

O que eu quero dizer com essa passagem pessoal da minha vida,  que a majestade da sua obra  não pode ser exaltada e se limitar aos movimentos sociais e políticos  que comandou,  embora tenham sido causas de influência na vida paranaense.   

Sua figura tornava-se imponente, a partir do principio que adotava e ensinava que o respeito pela dignidade humana era o principio e o fim de tudo.  Quando se adota esse caminho, as idéias nascem dos ideais que estimulamos como trânsito da execução da vida.  Então,  as realizações se tornam natural. 

Com Churchill aprendi que não existem homens extraordinários.

O que existem são homens que fazem coisas extraordinárias.  São elas que incorporadas à sua obra,  trazem o conforto pela perda,  e o tornam eterno.

O Doutor Francisco é um desses.

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