Dourado

O Atlético agarra-se na superstição. A quatro portas, falaram ao seu presidente que a cor branca é negativa para o corpo vermelho e preto. Por isso, em segredo, foi planejado o fim da camisa branca. Hoje, contra o Flamengo, o Atlético joga de dourado.

Não sou supersticioso, acredito em Deus e no trabalho, mas tenho lá minhas fraquezas. O branco no corpo do Atlético sempre foi uma cor inerte e sem história. Não diz nada e nunca dirá nada, pois não é identificada com nenhuma das cores vermelha e preta, que ilustram a paixão atleticana.

Já era tempo da cor branca sair da sua vida. Se foi por superstição ou não, pouco importa. Desde que não seja verde, a cor da segunda camisa pode ser qualquer uma. A segunda camisa é para cumprir eventualidade de regulamento. As cores da camisa principal é que são imutáveis, só vermelha e preta, que nenhum mortal, por mais poder e influência que exerça nos pobres de espírito, poderá mudá-la.

O que o Atlético está precisando é dourar o seu futebol. Melhor se Mário Sérgio não for tão impaciente com Adriano e Dagoberto, que atualmente, escolhem a camisa. Adriano, além de craque, tem um histórico disciplinar no clube sem censura pública.

Vencer o Flamengo no Maracanã não é uma dura missão que requer atributos extraordinários. Desde que seja projetado com simplicidade, o Atlético pode ganhar. Afinal, dos vinte e dois que começarão o jogo, a única a diferença está do seu lado: Dagoberto.

Violência

Escrever que a ação da torcida do Vasco contra os coxas foi uma ação de bárbaros é insistir no óbvio. As imagens da televisão esgotam qualquer texto; só não inibem e não esgotam as imagens retidas na memória dos dirigentes e profissionais do Coritiba, que foram vítimas das barbáries.

Os coxas têm que fazer orações e agradecer, porque o que aconteceu foi anormal. Tratando-se de facção de crime organizado, o normal seria uma bala atirada com o objetivo de originar a fatalidade.

O caso reabre o exercício da impunidade no futebol brasileiro. Luiz Zveiter, presidente do STJD, já anuncia punição para o Vasco, com a interdição de São Januário. Uma pena inútil para os danos materiais e principalmente psicológicos experimentados pelos coritibanos.

Dirão que a lei não permite ir além da interdição.

O direito não é estático. Por ser uma ciência dinâmica, exige modernização. O magistrado, antes de tudo, porque diante de dois fenômenos lei e fato social deve ser o crítico da lei e do fato social. Não pode duvidar, que a norma jurídica não se reduz a mero esquema lógico-formal. Há uma realidade sócio-cultural, que é a matéria, o conteúdo a ser considerado. buscando interpretar a lei que atenda os reclamos da sociedade. Por isso, a jurisprudência intervém diariamente em nossas vidas. Quantas soluções justas, morais e jurídicas são dadas, sem que exista um texto expresso de lei.

Um clube deve responder pela ação da sua torcida. A punição tem que ser plena, alcançando, inclusive, os pontos eventualmente ganhos.

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