É de se presumir que um homem que tenha tudo o que o doutor Petraglia tem na vida seja um homem feliz: cada dia mais rico de dinheiro, realizado pela união da família, coração bem cuidado sem risco de causar surpresas, e querido como homem público pela torcida do Clube Atlético Paranaense.
Mas parece que o doutor Petraglia não gosta de ser feliz. Bem por isso, deve estar passando dias terríveis com essa onda de Vinicius de Moraes, que há 100 canta sobre a felicidade. Conta a lenda (a história se transformou em lenda) que o doutor antes de sair de casa toma uma dose de ódio e escolhe alguém contra quem irá destilá-la.
O Atlético anda em paz. No campo, na Copa do Brasil e no Brasileiro está entre os quatro melhores. Fora, está encaminhando para o final a construção do mais bonito estádio do Brasil, o que remete o doutor a uma inusitada unanimidade, em um país que o homem público é descartado por falta de moral.
Mas por não gostar de ser feliz, o doutor Petraglia publicou no site oficial do Atlético um artigo que deu o título de “Vendilhões do Templo”: individualizando o nome de todos os ex-conselheiros que foram contra a autogestão na construção da Baixada, chamando-os de “vendilhões do templo”, como se fossem os fariseus expulsos por Jesus, que usavam o templo para praticar agiotagem.
O doutor, para ofender os atleticanos, criou um fato que não ocorreu. Foram duas as opções colocadas em votação para a construção da Baixada: a) autogestão; b) contratação da construtora Triunfo, única a fazer proposta formal. A da OAS sequer foi considerada como proposta.
O que pretende Petraglia provocar: um fato mentiroso e envelhecido? Temo que o doutor se descuide e tome uma dose dupla de ódio. Corre o risco de capotar e não entregar a Arena da Baixada integralmente paga.