A questão da construção da Baixada para a Copa do Mundo é uma questão de todo o Atlético. O discurso de Petraglia, o dono da obra, é de que o Atlético terá a sua responsabilidade limitada a 45 milhões de reais. Esse seria o limite se o custo final fosse de 180 milhões. Mas o próprio Petraglia afirmou na rádio 98 FM, que o custo já bate em 200 milhões de reais. Então, a parte do clube já não seria mais de 45, mas de 65 milhões de reais. É que a obrigação do poder público é limitada por lei, o que significa que qualquer variação desse limite tem que ser aprovada por outra lei. Em resumo: acima de 120 milhões, o custo será exclusivamente do Atlético.
A gravidade do problema não se limita aos valores, mas como pagá-los. Petraglia escreveu que tem três anos de vida útil, e que queria usá-los para construir a Baixada. Nada mais nobre. Mas escreveu, também, que não pretende ficar três anos na presidência, mas apenas 18 meses – tempo que vai durar a construção da obra. Nada mais perigoso. É que desta vez está mal cercado.
Falou para os conselheiros que não quer a presidência, que não gosta de futebol, que não entende de futebol, que “o que eu quero é construir patrimônio para tornar esse clube grande”.
É razoável concluir que alguém que não gosta e não entenda de futebol vá ignorá-lo. É, também, razoável concluir que quem não se dispõe a ficar três anos no comando não vai se preocupar em pagar uma dívida durante 15 anos. Encontra-se, aí, a razão para não formalizar a sua candidatura como presidente.
Buscar a melhor opção é penoso, escolher não é fácil. Mas uma coisa seria votar em Petraglia; outra, será votar em alguém que ele indica. Não esqueçam os atleticanos, que foi Petraglia quem indicou Malucelli.
A partir dessas verdades consolidadas pelas posições públicas de Petraglia, a solução para a eleição não me parece complexa. O Atlético precisa é ganhar o equilíbrio diretivo, o que só será possível se houver alguém capaz de frear a ambição de Petraglia. É aí que surge a importância da racionalidade de Diogo Braz e Ênio Fornéa Júnior. E é aí que o sócio precisa intervir, pois, indiretamente, é o único que pode colocar todos no mesmo barco.