Dolorosa escolha

Se o Coritiba ganhar do Goiás, e seguir em frente na Copa do Brasil, qual será o caráter da vitória? Nelson Rodrigues responderia que é demagógica, mas os coxas não arriscam responder. Pensando só no futuro, que passa obrigatoriamente pelo retorno à primeira divisão, nada explica melhor a situação do Coritiba, a dolorosa opção do provérbio “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

No futebol, a única verdade é a vitória, aprendemos desde criança. Mas quando não existe projeto, ou se existe é cheio de defeitos, a vitória pode ser traiçoeira. Se o Coritiba ganhar do Goiás e seguir em frente na Copa do Brasil, não corre o risco do bicho comer mais à frente?

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A geração Arena de torcedores do Atlético sempre ouve falar, mas não tem a exata dimensão da marca Ziquita. Em um domingo de 1978, na Baixada, o Atlético perdia para um poderoso Colorado por 4×0.
Repórter de rádio, ao lado do banco do Furacão, narro o que vi e ouvi. O jogo caminhava para o final, quando o treinador Diede Lameiro chamou o reserva Ziquita e disse em tom de despedida: “Entre. Depois, todos os caminhos nos levam embora do Atlético”. Ziquita entrou e fez os quatro gols.

O presidente da época, o saudoso e querido Tonico Luck, não viu o jogo. Voltando de sua fazenda no Coxipó da Ponte, em Cuiabá, ouvia pelo rádio do seu avião a narração de Carneiro Neto pela B2. Antes de Ziquita entrar, o som do rádio fugiu. Chegando no aeroporto do Bacacheri, supondo que a humilhação dos 4×0 eliminara o Atlético, Tonico telefonou para o supervisor Hélio Alves e deu ordens: “Mande o Diede embora”. Foi então que ficou sabendo que Ziquita marcou quatro gols, o Furacão empatou e iria decidir o título com o Coritiba. Mas essa é uma outra história, que muitos contam horrores.

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