Ontem, perdi um grande amigo e o Atlético perdeu um dos atleticanos mais extraordinários: Guimarães Bueno, “seo” Guimarães, 91 anos. A sua saudação dividia-se entre o sorriso, que irradiava bondade, e pela força do seu abraço, que de tão apertado pelo sentimento, não se podia não sentir no coração. A sua obra de amor, ensinamentos e honradez, foi finalizada. Irretocável. Cercado por criação, teve tempo ainda de colher a última imagem, que era um sonho em busca da última lembrança: o Atlético vencendo na Arena.

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“Seo” Guimarães nos deixou com inveja. Todos os atleticanos queriam, como última lembrança, o gol épico de Paulo Baier, que derrotou o São Paulo, na Arena cheia de gente e de alma. É uma forma de voltar a viver.

Não sei se é possível morrer contente. Fernando Pessoa escreveu que “se soubesse que amanhã morria e a Primavera era depois de amanhã, morreria contente, porque ela era depois de amanhã”. Se for possível morrer feliz, então “seo” Guimarães morreu feliz.

Não precisava mais de lembranças.

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Reposição

Muitas vezes, o acaso nos dá a solução que precisamos. No futebol não é diferente. Às vezes, as soluções, embora possam ser previstas, não são as programadas. Por isso, Márcio Moreira Alves escreveu que o acaso era a arma da polícia de Médici para prender os guerrilheiros urbanos.

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Trato do acaso, à propósito da entrevista que o excelente repórter de rádio Jairo Silva fez com Antônio Lopes. O treinador atleticano analisou as opções prováveis para a improvável reposição de Paulo Baier, suspenso pelo amarelo. Lembrou de Renan, passou por Wesley, admitiu Fransérgio e lembrou de Jhonatas.

Foi o acaso que renovou o time do Atlético. Nada disso aconteceria se a nova diretoria fosse perdulária, gastando o que o clube não tem, adiantando receitas da metade da 2.ª década. Da 1.ª, foi quase tudo.