É fato: há temas que são cansativos e de interesse restrito. É fato: a discussão sobre a lei de responsabilidade fiscal dos clubes leva a exaustão. Mas a sua importância está associada ao futuro do clube de cada torcedor. O futebol brasileiro, talvez, tenha começado a mudar com o veto da presidente Dilma Rousseff à lei que havia sido aprovada no Congresso. Definitivamente, os clubes terão contraprestação como condição de parcelar as dívidas tributárias.  

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Trato a esperança no condicional, porque tudo em Brasilia gera dúvidas. Lá há negócio para tudo, em especial para determinadas leis.  Se há mesmo interesse sério para atacar a principal origem do mal do futebol brasileiro, não há como transigir a uma contraprestação: a responsabilidade pessoal do dirigente.  A mais simples análise contábil irá concluir que o endividamento dos clubes tem na irresponsabilidade administrativa a causa imediata, que de tão escancarada, torna-se única.

Mais grave: já está se tornando regra, que são atos voluntários para direta ou indiretamente alcançarem beneficio próprio. Às vezes, o ato irresponsável em razão da incapacidade traz mais danos que aquele praticado com interesse.

Entre nós, o caso de Thiago Neves, que tornou vitima o Paraná, tem que ser adotado como exemplo clássico porque foi uma sequência de atos temerários, por serem imorais e incapazes. Não custa recordar: em dado momento, um presidente “doou” os direitos que em pouco tempo renderam milhões de euros para o “donatário”. Querendo consertar o erro, o atual presidente, confiando em quem lhe orientava, assinou uma confissão de dívida de 29 milhões de reais, quando o próprio credor havia renunciado no juizo trabalhista o seu direito ao crédito. Por bem menos, na Alemanha, Itália e Espanha dirigentes são presos.

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O que eu quero concluir é isso: se o dirigente não for responsabilizado pessoalmente pelo excesso que pratica, independente de causa, tem que ser solidário. Do contrário, qualquer lei mais perfeita que possa ser, não repercutirá em beneficio do futebol brasileiro.

Inspiração

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À tardinha, querendo saber as últimas do futebol, liguei o rádio. Esperando notícias do Atlético, o repórter entrevista o pai e o procurador dos meninos Crysan e Bruno Motta. Eu sei que o Furacão continua dificultando a vida dos repórteres, mas é preciso ter o mínimo de criatividade. O que interessa para o ouvinte ouvir pai e procurador de jogador? Um dia desses, o Globo Esporte aqui da casa,  fez uma matéria de 5 minutos com Lúcio Flávio em momento de lazer. Nada contra Lúcio Flávio, mas não me lembro de uma matéria com Pelé que tenha ocupado 5 minutos de um programa de 20.