Um é o Lothar Matthäus, cuja obra como jogador foi irrepreensível, da qual originou o ídolo de carisma, e que por onde passa provoca respeito e encanto; o outro, é o Lothar Matthäus, à beira do gramado da Arena, como treinador com a obrigação de projetar taticamente um time, comandá-lo, fazendo jogar. Separemos os dois Matthäus. Não podemos confundi-los. Não nos deixemos envolver emocionalmente com o ídolo, que já no pedestal, está reverenciado e protegido.
Mas onde anda o outro Matthäus? Procuremos o comandante de grupo, o arquiteto de esquemas, o técnico, o treinador e o professor. Tentei encontrá-lo duas vezes: contra o Iraty e contra o J. Malucelli se esteve presente não sei. O que vi foi um técnico comum, lutando com dificuldades e limitações, nervoso e brigando com o árbitro e o assistente.
Já se passaram quarenta dias desde que chegou. Já foram jogados seis jogos desde que estreou. Nunca se viu um time tão dependente de um e outro jogador. Dagoberto e Ferreira. Contra o J. Malucelli, como fora contra o Iraty, o Atlético foi um time confuso, pressionado, sem uma única jogada que se possa arriscar a presunção de que ?essa teve o dedo de Matthäus?.
Ainda, todos nós que reverenciamos o ídolo, iremos encontrar o técnico. Tenhamos esperança. O que não queremos, e temos que evitar, é confundir os dois.
Sentimental
Levir Culpi está comovido com o convite do Coritiba. E expondo sentimentos diz: ?Tenho um compromisso com o Coritiba porque não consegui levá-lo para a primeira divisão em 91?.
O mesmo Levir jurou amor eterno ao Botafogo. Batendo no peito, disse: ?Não gostaria que o Botafogo caísse para a Segundona nesse jogo?. Não caiu. O jogo era na Arena e contra o Atlético, que ainda tinha o direito de ter esperança.
O mesmo Levir, às escondidas, chora lágrimas pelo seu fracasso em 2004, quando perdeu aquele que seria o seu primeiro Campeonato Brasileiro e o bi do Atlético. ?Ah! Se eu pudesse voltar no tempo faria tudo diferente em Erechim?, deve reclamar de si próprio.
Há que se respeitar Levir. Seus sentimentos e sua competência são transparentes. Absolutamente sinceros. Mas chegou o momento de reescrever a sua história.
O Coritiba, na segunda divisão, seria um bom começo. Na escala para pagamento de dívidas, a mais antiga tem preferência. Porém, o Coxa anunciou ontem a contratação de Estevam Soares. Fica pra próxima, Levir!