Disparada

Entre os princípios básicos do jornalista, está o de selecionar o que é flagrante, reportar fatos e buscar relevâncias. Ando observando a crise do Paraná. O que falam dela e as mais diversas razões que para ela especulam.

É acomodar-se na procura de solução, criticando o esquema de Zetti, criticando a meia-cancha, que não marca, e o ataque, que não faz gol. E sob o pretexto de que a paixão está sendo maltratada, a reação na arquibancada cria a idéia de um clamor popular. É aí que está o grande equívoco.

O problema do Paraná está na parceria que fez com a empresa Base para a formação de jogadores, repartindo o lucro líquido. Atraiu para dentro um empresário, que antes criava, matava e vendia boi no Mato Grosso, se encantou com o percentual fabuloso, que rende a aplicação na criação de jogador, por conta da fraqueza dos clubes. Sem dinheiro para investir na base, o clube aceitou, dando gratuitamente jogadores que já tinham sido revelados na Vila Capanema. Elvis, por exemplo.

A certa altura, Geraldo Vandré, na sua obra Disparada, escreveu que “gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata. Mas com gente é diferente”.

Até aí, seria um negócio cujo interesse limitava-se às partes, sendo bom ou sendo ruim. Mas ocorre que o parceiro está angustiado pelo dinheiro investido em Quatro Barras, sem perspectiva de um retorno a curto prazo. Esses interesses manipulam torcida organizada, alguns integrantes da imprensa, paga torcedor travestido de jornalista. O resultado é a pressão intermitente, que repercute nos dirigentes, criando a insegurança que mina diariamente os profissionais, em treinos e jogos.

O problema do Paraná é técnico. Mas a solução tem que passar pela polícia, com investigação sobre a relação de torcida organizada com torcedor feito cronista e parceiro. Bem às claras, há quem financie o crime. O resto é conversa.

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