Diferenças

Não sejamos hipócritas em buscar na organização em campo e nas variações táticas a explicação para o banho que o Corinthians deu no Atlético ontem na Baixada, 4×1. Nem se Tite estivesse do outro lado, nem se a alma de Tele Santana tomasse Cristóvão, o Furacão poderia ter alguma esperança. A explicação está em uma comparação acadêmica, destas de arquibancada e de mesa de bar: na zaga, para Gil e Felipe, o Atlético oferecia Kadu e Vilches; no meio, para Ralf e Elias, a oferta eram Deivid e Hernani; no meio, ainda, para Renato Augusto, era Bruno Mota, e para Jadson, tinha Marcos Guilherme. Todos esses corintianos do meio, que marcavam e criavam, também, atacavam, tornando os excelentes Malcom e Love, uma sobra, quase um excesso. Dito de outra forma: no jogo, comparado ao Corinthians, o Furacão ficou no plano virtual, não existiu.

A partir dessa comparação, explica-se a razão de que no primeiro tempo, fazendo 3×0, o Corinthians já havia ordenado a vitória. Provou que futebol tem lógica, e que as surpresas não ocorrem por acaso, reclamando um fato improvável, que esse Furacão é incapaz de provocar. Além de ser por natureza forte e cheio de talento, o time de Tite pegou um Atlético morto e aberto no meio com Deivid, Bruno Mota e Hernani, fragilizando ainda mais o fraco sistema de defesa. E aí, houve a colaboração do treinador Cristóvão. O gol de Bruno Mota nada mais foi do que uma ilusão. Qualquer atleticano bom da cabeça, não acreditou que poderia ocorrer uma reação. Logo depois, Love fez o quarto.

O mais grave de tudo é a verdade final: a goleada sofrida pelo Furacão nada mais foi do que a consequência da irresponsabilidade de uma administração sem projeto, que muda quatro vezes de técnico em dez meses, e cuja origem está no desgosto de Petraglia por vitórias no campo.

Outras derrotas virão.

Conforto

O Coritiba merecia perder o jogo de Campinas, mas não da forma como perdeu. O primeiro gol da Ponte, de Alexandro, foi com o braço esquerdo viciado pela intenção objetiva do jogador. Mas, depois, sem nenhuma organização tática, foi à bandalheira para o ataque. Resultado: Ponte 3×0 e a cotação aumentando para ser rebaixado.

E Ney Franco continua sendo a grande esperança do presidente Bacellar. Era também a esperança em 2009.

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