A questão não é comparar Messi a Neymar. Messi por uma série de motivos, entre eles o tempo, já foi consagrado como um dos melhores da história do futebol mundial. A questão é a influência que estão exercendo em suas seleções nesta Copa do Mundo.
Os argentinos não estão jogando mais e nem menos do que o Brasil. A angústia de um time pouco equilibrado, também, antecede as suas vitórias. A defesa é fraca, ao ponto de tornar a vitória sobre a Suíça alienada à sorte, como a bola que tomou na trave no final. Ocorre que, Messi está sabendo lidar com as dificuldades de marcação, que lhe subtraem os espaços. Se não consegue criar para si e complementar a jogada de gol, cria para outros, como no lance genial que fez para Dí Maria eliminar os suíços.
Ao contrário Neymar, esperado duas vezes (México e Chile) como solução para compensar as deficiências coletivas, não apareceu. Isolado, seja pela falta de jogo do meio campo, seja pela falta de qualidade de Fred e de Jô, por enquanto, é vítima. Mas pode se tornar culpado. É que dos grandes craques se esperam soluções isoladas e extraordinárias. Por não ser um jogador comum, espera-se de Neymar o que os argentinos querem e Messi está aceitando e fazendo: ser decisivo no momento que o jogo reclama uma solução improvável.
Formação
Não me surpreende a insegurança emocional do jogador nos dias atuais. Não são só os brasileiros, mas são os brasileiros em especial. Mal se profissionaliza, já tem alguém tomando conta da sua vida. Em regra alcança a fama e começa a fazer fortuna, sem precisar ter sofrido. A sua estrutura pessoal, incluindo aí a própria personalidade, se torna frágil pela falta de desafios que a vida provoca e o ser humano tem que enfrentá-los. O resultado é esse desequilíbrio que às vezes sente diante de uma responsabilidade que nunca precisou carregar.