Se o Corinthians não tivesse Ronaldo, o Atlético teria seguido em frente na Copa do Brasil. É que os dois times seriam rigorosamente iguais. Mas acontece que o Corinthians tem Ronaldo. E foi ele quem tornou o jogo do Pacaembu desigual.
No segundo tempo, o Fenômeno avançou mais e se intrometeu entre os zagueiros. No primeiro gol, precisou apenas de um pedaço de grama para girar o corpo em cima de Gustavo, e chutar no canto direito de Galatto. No segundo, de pênalti, que ele próprio sofreu usando a experiência em cima dos jovens Chico e Renan, esnobou com a malícia do toque desinteressado. Corinthians 2 x Atlético 0.
A sensação que ficou foi de que a desclassificação ocorreu em Curitiba naqueles dois gols sofridos no final do jogo da Arena. Entendo que não, porque com Ronaldo de um lado sempre é possível e provável tirar a diferença. Se o Atlético tivesse Ronaldo, era ele quem seguiria em frente. Mas acontece que o Atlético não tem Ronaldo.
Batalha
A bola é redonda e o jogo tem noventa minutos, respondiam os alemães ao favoritismo da invencível Hungria de Puskas, antes da Batalha de Berna, que decidiu a Copa do Mundo de 1954. Alemanha 3 x Hungria 2.
A derrota da histórica seleção húngara foi um desastre para o futebol mundial. É que o estilo rústico, centrado na força física da Alemanha, passou a ser referência, e introduziu definitivamente o futebol de resultado. Talvez não tenha se alastrado mais, porque surgiu a Seleção Brasileira de 1958, na Suécia.
Esses maus exemplos são dados com frequência, submetendo o futebol ao perigo de referências do jogo bruto, marcado, ganho só pelo erro adversário.
Ontem mesmo, em Londres, o mecanizado, estático e brutal (no sentido de violência) Chelsea ganhava de 1×0, e eliminava o encantador Barcelona de Messi. Só que passados os 90 minutos, veio uma bola redonda para o talentoso Iniesta, que chutou de longe e empatou.
Manchester e Barcelona irão decidir o título da Europa, em Roma, dia 27 de maio. O campeão, seja qual for, será a referência que o futebol tanto reclama para se proteger como arte. São dois times espetaculares. No ataque e no contra-ataque.