A “Conexão Uruguai”, do jornal Gazeta do Povo, é uma espécie de “Diários Secretos” do futebol: remexeu em fatos do Atlético de Petraglia (1995-2008) que todos ouviam falar, quase todos tinham certeza de que existiam, mas que ninguém tinha coragem de investigar e denunciar. A matéria contou fatos, instruiu-os com documentos e, e remeteu o leitor à conclusão.
Mas, diferentemente dos “Diários Secretos”, que denunciou o sistema de ilícitos na Assembleia Legislativa, que subtraía dinheiro público, e até criou causa para prisões, a Conexão Uruguai pode tomar um caminho frustrante. É que o futebol, sob o equivocado pretexto de que trata de relações privadas, é insensível a desvios éticos, a prejuízos, voluntários ou não. Só a vitória o sensibiliza. Nem se trata só de consequência da paixão, mas, atualmente, de subterfúgios que são escondidos pela manipulação de fatos e da compra do grito das torcidas organizadas. Bem resumido, no futebol, quase sem exceção, adota-se o princípio atribuído aos malufistas do “rouba, mas faz”.
Não é esse o caso específico do Atlético. Nem precisava chegar a tanto. Mas a “Conexão Uruguai” cria uma terrível dúvida: como é que Mário Celso Petraglia faz dois negócios (Alberto e Lucas) com a mesma pessoa (Juan Figer) e não desconfia que o Atlético, que detinha percentual igual, tem reduzido o seu valor final em 70%, fato que lhe subtraiu R$ 64 milhões? Em outro país, mesmo com um índice grandioso de corrupção, como a Itália, um fato dessa natureza seria investigado.
Por coincidência, o presidente da Udinese, que comprou Alberto, respondeu processo criminal pelos negócios obscuros com o Rentista, de Figer. No Brasil, pode-se ganhar como prêmio o cargo de presidente e um cheque em branco para movimentar milhões de reais.