O BNDES empresta dinheiro público, mas não é humanista. É como um banco qualquer: quando oferece crédito, simulando subsídios para dar aparência de barato ao dinheiro, exige todas as garantias. Não está errado, principalmente porque o Brasil já virou o país do calote pelo descaso com a probidade e a administração da coisa pública.
Por aqui, as aparências de que tudo estava encaminhado para a Copa do Mundo foram para o brejo. A distensão entre o governo do Estado e Mário Celso Petraglia sobre os limites da responsabilidade e garantias passou a ser pública. O governador Beto Richa não recebe o secretário da Copa Mário Celso Cunha há algum tempo. E da última vez que o recebeu, foi para dizer que por ele o Paraná poderia renunciar direito de ser sede. Talvez esteja com a razão, porque o desgaste político para fazer o que a Fifa exige é bem maior que o benefício político que possa ter.
Acabou-se a retórica, inclusive de Petraglia. Beto e Ducci não arriscariam hoje posar de peão de obra na Arena da Baixada. Cássio Tanigucci sugeriu que Petraglia tocasse a obra “do seu jeito, que depois se veria como pagar”.
Como se conclui, o diagnóstico é grave. Amenizá-lo, só piora a situação. Não se trata de mera desarmonia, nem de controversas teóricas. Lixo-me para políticos, já escrevi aqui.
O problema é que todos os envolvidos, inclusive Petraglia, podem levar o Atlético para uma barafunda. Derruba-se, constrói a Baixada para cumprir a obrigação política e a promessa de campanha no clube, mandando a dívida para as calendas e as futuras gerações de atleticanos pagarem, ou fica no meio do caminho.
Petraglia tem amor pelo Atlético, não posso duvidar. Mas todos passarão a duvidar que para satisfazer a sua vaidade de fazedor, derrube o estádio sem que o clube tenha a garantia e a data para receber o dinheiro, sem alienar o seu patrimônio.