Para censurar a segunda feira, como o dia especial escolhido para jogos do Campeonato Brasileiro, o treinador Paulo Autuori falou: “É um absurdo. O torcedor não pode ir porque terá que trabalhar no dia seguinte, e a criança não pode ir porque terá que ir à aula”. Autuori anda falando tanto que já lhe faltam argumentos.

continua após a publicidade

Mas é exatamente o que a televisão quer: que o pai que vai trabalhar e o filho que vai estudar na terça fiquem em casa vendo o jogo pela televisão. Esse é o objetivo dos jogos na segunda.

Quando faz criticas ao comando do futebol brasileiro, o treinador quer demonstrar independência. Seria um ato de autoridade, se o treinador fosse mais à fundo nos problemas que ele com insistência critica. E é ai que as posições de Autuori perdem a força. As suas criticas alcançam apenas o poder aparente, afastando-se da origem. Se for irá encontrar os responsáveis: os clubes, que entregam os direitos de transmissão pela televisão sem impor condições. E a televisão que os sustenta transforma os jogos em um programa diário. A segunda-feira é um dia especial para o futebol na Inglaterra, Italia e Espanha.

Com tantos anos de trabalho, Autuori já deve ter aprendido de que é à partir da posição de dependência dos clubes à televisão, que se organiza (ou desorganiza) o calendário, marcam-se datas e horários exóticos dos jogos de cada competição. Autuori que pegue o seu Atlético como exemplo, que disputou o Estadual e a Primeira Liga, que disputa o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e irá disputar a Sul-Americana.

continua após a publicidade

À exceção do Estadual, todos os campeonatos constituem fonte de renda valiosa para o clube. O Atlético – e como todos os clubes, e com razão – não pode recusar qualquer fatia de mercado que é destaca pela televisão da sua gama de interesses.

Autuori ganharia razão definitiva se atribuísse aos clubes (inclusive ao Atlético que lhe paga) a responsabilidade por essa desorganização. Mas essa responsabilidade dos clubes tem que ser temperada. No futebol cria-se uma espiral em que as obrigações se entrelaçam e tornam um refém do outro, com a televisão acima de todos.

De primeira

continua após a publicidade

Perguntando se o Atlético está contratando o veterano meia Jussiê, o presidente Luiz Sallim Emed disse: “Não sei se nada. Só apareço para assinar o contrato”. Sallim, assim, reconhece que é uma simples formalidade estatutária dentro do Atlético. Deveria valorizar um pouco mais a si próprio.