Dia D

Em Sainte Mère Eglise vim reler com a alma, o que tinha lido com os olhos durante anos: a invasão dos aliados na Normandia, na França, que libertou o mundo do nazismo.

Sempre há tempo de lembrar de nossos valores. Uma televisão mostra alguns momentos de Rússia e Argélia, na Baixada, em Curitiba. O narrador francês diz que é o último jogo no “estádio mais bonito da Copa”. Minhas emoções se embaralham. Queria só me ligar na história de John Steele, o americano que ficou preso pelo paraquedas na torre da igreja, mas não consegui desprezar as imagens da Baixada. Nessa confusão entre o passado e o presente, encontro um ponto em comum, o mais importante: a libertação.

Quando o jogo terminou e a FIFA devolveu a Baixada encerrando a Copa do Mundo em Curitiba, o Atlético resgatou a sua soberania absoluta. O Furacão está libertado.

Aqui de bem longe rendo minhas homenagens àqueles que eu entendo que foram os responsáveis diretos pela construção da Baixada e pela Copa do Mundo em Curitiba: Orlando Pessutti e Beto Richa (governadores), Luciano Ducci e Gustavo Fruet (prefeitos), Mario Celso Cunha e Reginaldo Cordeiro (secretários), Joel Macedo Soares Pereira Neto (Procurador Geral de Curitiba), e os atleticanos Marcos Malucelli, Enio Fornea Junior e Mário Celso Petraglia.

Não sei qual a razão, mas agora que eu preciso terminar me vem na lembrança Martin Luther King: “A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas, como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio. E agora para onde vamos?”.

Para onde foi Stelle, aquele paraquedista americano? Depois de 90 minutos, tempo de um jogo, amarrado na torre da igreja, foi preso pelos nazistas. Conseguiu fugir e só morreu de câncer em 1969.

E, agora para onde vai o Atlético?

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