Deuses e monstros

Às vezes não tem jeito, e então, por mais pecado que seja, é preciso apelar para Deus no céu. Mas no sábado não adiantaria a intervenção divina, se não tivesse Alex Mineiro na terra. Com os dois juntos, então, o Atlético foi irresistível no final e ganhou do Inter o inesquecível jogo da Arena, 2 a 1.

Só com Alex Mineiro na terra não bastaria. E não era porque o Atlético jogava mal, ao contrário, foi até brilhante no primeiro tempo, e tinha o segundo sob o seu domínio. Era um jogo emocionante em razão da igualdade ofensiva, pois de um lado o Atlético atacava com Denis Marques e Alex Mineiro, e de outro o Inter com Fernandão e Alexandre Pato.

Mas aí houve a intervenção do treinador Vadão. Para o mal, como sempre, quase acabando com um time que estava inteiro: tirou Evandro para colocar o fraco Netinho, e aí esvaziou o ataque. Logo depois, tirou Alan Bahia para colocar Pedro Oldoni, e aí acabou com o meio-campo, e com o próprio time.

A torcida não achou graça, chamou-o de ?burro?, mandou-o ?para fora?, e o jogo, que era ambientado na superioridade do Atlético, mudou de rumo: o Inter, com dez, passou a ter o domínio.

Foi então que a dupla da salvação interveio: lá do céu Deus fez uma bola sobrar para Alex Mineiro na área do Inter, que com a consciência de um deus da terra, venceu o excelente Renan.

Um dia Deus estará vendo um outro jogo, e Alex Mineiro poderá estar fora. E aí quero ver como o Atlético vai derrotar os erros de Vadão.

***

Risco

Vi do começo ao fim o jogo do Coritiba em Brasília contra o Gama. Faço uma confissão, talvez surpreendente, de que por várias circunstâncias queria vê-lo vencendo. Mas conclui à certa altura que para vê-lo perdendo nem precisa torcer contra: o time que Giovani e Vialle pensam que irá conduzir o clube à 1.ª divisão é absolutamente ruim.

A defesa vive de Henrique, mas que não consegue jogar por si e por Dezinho; sem laterais (Ânderson é ex-atleta), o time fica estático. Resta Pedro Ken, que é muito jovem para carregar um time inteiro nas costas.

No ataque, Henrique Dias corre, mas não produz. E Hugo, que parece bom, é capaz de perder o gol que perdeu.

Com esse time, o Coritiba não fica entre os oito. Então, está na hora de Vialle, o entendedor, fazer o que prometeu: desmanchar outra vez o time e formar outro. Se não o fizer agora, não dará tempo de desmanchar e fazer três times, como sonhou.

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