Iria escrever apenas amanhã, mas o tema requer urgência. Quando se imagina que tudo está ruim no futebol do Atlético, o presidente Mário Celso Petraglia, intervém e ameaça torná-lo ainda pior. Despudor escancarado para preencher lacunas pela falta de qualificação para tratar de coisas do futebol, não se deu ao trabalho de recorrer nem mesmo a um disfarce ao demitir o treinador Milton Mendes. Tinha todos os argumentos para não demiti-lo baseados em números e circunstâncias, e nenhum argumento justo para mandá-lo embora.
Milton Mendes ainda não teve tempo de se tornar professor, estrategista ou qualquer coisa em especial. Às vezes confunde simplicidade com estrelismo. Equivocou-se quando quis fazer duas frentes de um grupo fraco. Mas a sua importância foi fundamental para o Furacão não estar hoje atrás do Coritiba entre aqueles que irão ser rebaixados. Contratado para trabalhar num ambiente especulativo, obrigou-se a fazer em três meses um time que reclama seis: sem pré-temporada, humilhando-lhe com a obrigação de ganhar o Torneio da Morte, o Atlético de Milton Mendes tinha que somar pontos improváveis para não ser rebaixado.
E só em razão do trabalho do técnico, o Furacão alcançou o improvável que foi ser líder, ficar sempre disputando o G4, dando até oportunidade para Petraglia escrever as suas cartas oportunistas.
A queda em um dado momento do campeonato seria prevista por alguém que conheça o mínimo de futebol. É razoável que um time jovem quando é exigido precisa da experiência como proteção. E a experiência reclamada ficou resumida a Walter e Weverton, que sustentaram os jovens enquanto podiam. A liberação de Gustavo, que jogando ou não exercia um trabalho interno de liderança, foi um despropósito numa zaga de terra arrasada. Mas nada pode se esperar de Petraglia e seus amestrados Lara e Carneiro, odiados dentro do CT do Caju. A impressão que me ficou é que Petraglia demitiu Milton Mendes porque anda com os pensamentos atrapalhados. Que já não sabe mais o que quer ou que faz.
