Desprezo

Os danos que a corrupção provoca na vida do povo brasileiro são tão grandes, tão imensos e tão profundos que já não permitem compor uma simples operação de cálculos. No futebol só há uma diferença: ao invés da corrupção, embora ela esteja enraizada, os danos maiores têm origem na incompetência dos dirigentes. Entre nós, ninguém dá demonstração desse fato como o Clube Atlético Paranaense.

Por ser submisso às idéias de incapazes, não consegue ir além da sua grandeza material. Por serem idéias insensíveis ao objeto social do clube, que é o futebol como instrumento de alegria para a sua torcida, revela diariamente não se constrange em transigir com derrotas como rotina de sua vida.

Por ser refém dessas idéias, o Atlético não consegue sair do lugar. A sua torcida continua sendo enganada com eventos casuais, estado que lhe traz prejuízos. E, agora, surge a referência concreta dessa contradição maldosa: para atender os interesses de Petraglia e sua tropa, entre eles a vaidade, o Atlético só quer saber de criar situações inusitadas, como esse evento do MMA. Para divulgá-lo, desprezam o futebol como objeto da vida do clube. E o fazem com uma gestão incapaz, que se torna temerária.

Veja só o leitor: o Atlético terá um lucro líquido com o MMA de 400 mil reais. Ao perder para um Cruzeiro reduzido a juniores e reservas, descartou o direito de jogar a semifinal e, se classificado, a final da Primeira Liga na Baixada. A média de público desses dois jogos seria de 35 mil pagantes. Um final, possivelmente contra o Flamengo, autorizaria a cobrança de valor médio de 150 reais. Só presumindo, de renda de bilheteria, o Atlético por ser negligente com o futebol, perdeu aproximadamente 5 milhões de reais. E a negligência se mostra objetivamente: a direção de Paulo Carneiro, pela qual chegaram Anderson Lopes, Pará, Thiago Heleno, André Lima, somado ao despreparo de Nikão, a ineficiência inexplicável de Walter, tudo resultando na necessidade de ter um novo técnico em dois meses.

Não nego a importância desses eventos na Baixada. São tão importantes, que se tornam obrigatórios. Mas esse fato não autoriza o desprezo ao futebol como núcleo da vida do clube, ainda, que se trate só sob o aspecto comercial, pois não não há evento maior e mais rico do que o futebol.

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