Uma voz diabólica sussurra nos ouvidos atleticanos, perguntando: e se os coxas não caírem? Já fazia um bom tempo que não via tamanho conflito de vontades e de querer. De repente, os atleticanos esquecem o sentimento pelo Atlético para expor ostensivamente o anticoxa, como se um só existisse em razão do outro.
Não se pode condenar os atleticanos. Torcer contra é o pressuposto fundamental da rivalidade. É impossível dissociar os sentimentos. É a partir da eleição passional por um clube, que nasce e é preservado o querer contra o outro. É aí que surge a grande motivação para ser grande. No futebol é diferente da vida: ninguém quer ser grande simplesmente por ser. Ainda me provoca a dúvida se Petraglia teria comandado a revolução no Atlético se naquele domingo de Páscoa de 1995, a humilhação dos atleticanos não fosse obra coxa-branca?
Mas não é só por isso que os atleticanos têm razão de ostentar esse estado de euforia. Escrevi um dia desses que não existe nada pior do que a política do Coritiba. Ontem, Ricardo Gomide, um político que ainda acha bonito dizer que é comunista, sem saber um único princípio de Marx, lançou uma chapa contra Giovani, levando na conversa coxas tradicionais. Não discuto o direito de ser candidato ou não. Principalmente em casa alheia. Discuto o aspecto esportivo que não é exclusivo ao Coritiba: o oportunismo de lançar candidatura, quando o clube precisa de solidariedade para não ser rebaixado.
Nada como o Atlético. Despede-se da torcida na Arena, definitivamente como o clube referência do Paraná; torna Mário Celso Petraglia seu senhor intocável, agora como presidente de fato e de direito, oferecendo-lhe condições, portanto, obrigações de finalizar a Arena, formar um grande time e ganhar um título de caráter nacional.