Deslealdade

Para analisar a saída de Ricardinho, é preciso buscar os fatos precedentes. Não era técnico, mas jogador. Em razão da sua história dentro do Paraná, lhe foi confiado a recuperação do futebol. Ricardinho sabia que tratava com uma diretoria séria, de um projeto de futuro, cujo único objetivo é tentar recuperar uma instituição quase insolvente.

Se tinha razão, deveria ter consciência de todas essas circunstâncias para anunciar a saída. Mas preferiu fazê-lo em um vestiário ambientado pela tensão, inclusive de violência pela invasão de torcedores. A desculpa de que não conseguiu falar por telefone com o presidente, é próprio dos que não têm o controle da emoção. Antigamente, diziam que era coisa de moleque.

Mas nada de Ricardinho é inconsciente. É próprio de sua personalidade sair como vítima e transferir responsabilidade. Como jogador era assim. Sabia que não foi ou não seria responsabilizado por derrotas, pois o projeto não é de conquistas, mas apenas de estabilização do clube para recuperação futura. Ao fazer o que fez, por essas circunstâncias, Ricardinho, como homem, foi desleal. Como técnico, foi covarde. Não suportando a primeira pressão, fugiu.

Normalidade

Os atleticanos andam tão carentes que já estavam fazendo de Pedro Botelho um lateral completo. João Paulo, então, como volante, é a renovação de estilo. E até Marcão é tratado como a reedição de Washington. Essa carência faz de Drubscky, aquele aluno sapeca que até dia desses fora expulso da sala de aula, um professor. Nem precisou o Atlético jogar contra um grande time. Bastou jogar contra um time tradicional, o Goiás. Pronto: foi derrotado (3 x 2) e excluído da zona de classificação.

Pode parecer que a culpa da derrota em Goiânia, foi de Drubscky, que provou que na dúvida decide errado: ao invés de Baier mandou o fraco Derley substituir Elias. Pode parecer que a culpa tenha sido do inconfiável goleiro Weverton, embora tenha falhado nos três gols. Foi produto da equivocada avaliação de que o time havia superado suas deficiências. Ignorou-se que a ascensão foi porque a fase obrigatória de recuperação coincidiu com a fase de adversários generosos.

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