Descontos

O Estadual é tão medíocre, que foi preciso um ato ilegal para diminuir o seu tédio. O Paraná chora o prejuízo de uma arbitragem. E as suas razões não são as razões de arquibancada, de fundo passional. São de fatos incontestáveis, como foram os dois pênaltis não marcados contra o Jotinha.

Entendo bem essa reação, até de ameaça física, que imprimiu contra a arbitragem. É que esse veneno que tomou é o mesmo que se aplicou nos seus adversários nos tempos de glória. Tomar do próprio veneno é mortal, pois a fórmula com o tempo vai melhorando.

Mas fatos passados não afastam as razões do porque chora. O prejuízo pode tirar-lhe o título do turno. Só que se limitar ao afastamento do árbitro é como bater e correr, um pouco covarde. No caso concreto, é razoável supor que quem erra a favor do Jotinha, não é para beneficiá-lo. No futebol, ninguém se comove com os interesses do time sem torcida. O que é preciso investigar é o objetivo final que o erro da arbitragem quer alcançar.

O Paraná, ao reagir apenas contra o árbitro – um coitado dentro do sistema – está esvaziando um clamor do futebol paranaense. Essa é uma grande oportunidade para mudar o comando do departamento de árbitros, por que, independentemente de intenção, o tempo de Afonso Vitor de Oliveira já passou até dos descontos.

Intenções

Embora fresco na memória, é bom repetir: enquanto se esperava a devolução da bola pela lateral, Ronaldinho Gaúcho tomava água do copo de Rogério Ceni. Afastou-se pela lateral da área com a intenção de entrar no jogo. Nenhuma imagem mostra Ronaldinho pedindo a bola. Inteligente, então, foi Marcos Rocha que bateu o lateral com a consciência de que o meia não estava impedido. Um grande amigo, que joga bola, me convenceu que esse lance é a prova de que no futebol, pela regra do jogo, é possível que uma fraude moral seja exaltada como um lance de gênio.

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