Derrotas e fracasso

As derrotas são todas iguais. Como na vida, no futebol não é diferente. Mas existem certas derrotas que alcançam o fracasso, e vão além de uma simples perda.

A derrota do Paraná em Santos (1×0) era absolutamente previsível. Na falha de Flávio, de previsível a derrota se tornou fato anunciado. O Paraná é assim: se Flávio não falha, o time não perde; se Flávio falha, o time é incapaz de criar uma situação de reversão. Mas uma derrota previsível não é um fracasso.

A derrota do Atlético para o Grêmio na Arena da Baixada (3×2) poderia até não ser previsível, mas seria um fato lógico. Se com os titulares o time está em queda, era normal perder com os reservas. E mesmo que entre eles, estivesse Dagoberto.

E mesmo, que Dagoberto fosse o único com a capacidade de constranger os gaúchos.

E já que Dagoberto voltou, e já que Dagoberto provou ser exuberante, não será normal, porque será uma grande idiotice, jogar a semifinal da Sul-Americana sem ele,

ou com ele no banco. Perguntarão, em lugar de quem?

Dagoberto está tão na frente, que escolhe a camisa. E não é só a do Atlético. Dagoberto escolhe a camisa para jogar em qualquer time do futebol brasileiro.

Mas voltemos à derrota da Arena: por ter origem na lógica de que ganha o melhor, ficou bem longe de uma com características de fracasso.

A derrota do Coritiba para o Atlético Mineiro, sábado no Couto, poderia até ser normal por ser previsível, para quem não conseguiu ganhar do São Raimundo. Ou sejamos menos rigorosos, do Brasiliense, ou para tornar a normalidade menos submissa aos erros, do Guarani e da Portuguesa de Desportos, que estão indo para a terceira divisão.

O mais grave, como se vê, não foi a derrota como resultado de jogo, embora fosse fatal. Foram as circunstâncias em que ela foi ambientada.

Lembre-se: trinta mil coxas, tragados pela barafunda de suposições matemáticas,  encheram o Couto Pereira.

E, de repente, viram Coritiba, 2×0. Parecia o velho Coritiba, de história com memória.

De repente, descobriu-se que a vitória era uma falsa vitória, e a ilusão era a própria fantasia.

A derrota do Coritiba não foi uma derrota. A derrota que antes passa pela ilusão de uma vitória é um fracasso.

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